Opinião
O TR�NSITO: VIRTUDES E CONSEQU�NCIAS
A divisão clássica do corpo humano em cabeça, tronco e membros, que data de antigas era, talvez antes de Cristo, está sendo substituída na maioria das cidades por uma classificação automotiva: cabeça, tronco e automóvel. Claro que é uma blague e lembra a rapidez e necessidades das cidades. Quando a ligeireza ultrapassa limites da prudência, pode aluir uma tragédia variante ? cabeça, tronco e cadeira de rodas. São consequências do comportamento antissocial de alguns traduzidos em velocidades excessivas, álcool, drogas, descuidos e desobediências. Em março deste ano, após intensos debates na procura de uma solução para o trânsito caótico em uma das principais avenidas de Maceió, foi adotada a criação de uma faixa exclusiva para ônibus, a chamada faixa azul. Após a implantação da faixa exclusiva nas avenidas Durval de Góes Monteiro, Fernandes Lima e Tomás Espíndola, um dos maiores benefícios para os usuários do transporte público coletivo foi a redução no tempo de viagem. Segundo um estudante de Publicidade e Propaganda que utiliza o ônibus no horário da tarde, diz. ?Para ir ao trabalho, eu gastava em média 50 minutos, mas, após a criação da faixa exclusiva, agora levo apenas 20 minutos. E na volta para casa, gasto apenas 15 minutos, o que antes fazia em 30?. Se para a maioria da população que utiliza o transporte público, a criação da faixa azul melhorou e muito a situação do trânsito, para outros ? usuários de carros privados ? a coisa ficou feia após a faixa azul; segundo um engenheiro de minha amizade: ?Eu sempre saí de casa às 6h30 da manhã, da Gruta com destino ao centro da cidade e levava em média 20 minutos para chegar; com a criação da faixa azul, o tempo de viagem triplicou, o que era 20 minutos de duração, passou a ser de no mínimo 60 minutos?. Torna-se necessário um estudo extensivo, avaliando o trânsito por dois lados: usuários de transporte público e usuários de veículos particulares. Como a cidade não foi projetada para situações futuras, a única alternativa será a criação de rotas alternativas que desafoguem o trânsito. Os números não ajudam. A cidade cresce e, a cada mês, quatro mil novos carros entram em circulação na capital, enquanto apenas setecentos saem das ruas (dados do Detran). Maceió é um corpo pequeno para o número de veículos que é grande.