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Opinião

O PECADO DA VIRTUDE

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A insinuante letra da canção popular revela que os personagens das histórias sentimentais se compõem de virtudes e defeitos. A ideia de uma separação anteciparia a imagem da dor. Restando a possibilidade de uma reconquista, porque nunca seria tarde para se recomeçar. A virtude, reconhecida como a disposição natural de se praticar o bem, mereceu ampla reflexão dos velhos pensadores. Friedriche Nietzsche, no consagrado conjunto de sua obra, tinha a ideia central da afirmação da vida, disse em seus escritos que, seria pelas próprias virtudes que o ser humano seria mais bem castigado. O nosso país assiste à marcha da sucessão presidencial e testemunha uma inquieta movimentação partidária. Agitada pelos candidatos, correligionários e admiradores, colocados na linha divisória das disputas. Os embates da realidade não se limitam ao duelo entre oposicionistas e governistas. O mais instigante seria o confronto interno reinante nos principais partidos em torno dos postulantes aos cargos eletivos da nação. Importantes órgãos da imprensa nacional apontam a existência de uma rebeldia saudosista no partido do governo. A presidente Dilma Rousseff estaria contrariando alguns aliados em decorrência da forma vigorosa em conduzir a pauta das decisões governamentais. Estaria assim perdendo algum apoio partidário interno ? mais por suas virtudes do que pelos seus defeitos ? afirmam os analistas políticos. Aludido fenômeno se verifica historicamente nas diversas áreas da convivência humana. Pessoas são alvo de rejeições pela maneira independente de agir. A flexibilidade das atitudes compõe melhor os interesses daqueles que plantam os casuísmos. As posições firmes desagradam à visão facilitadora dos acontecimentos. Muitos dirigentes, políticos, profissionais liberais, técnicos, professores, artistas, escritores e jornalistas ? sofrem manifestas críticas em face do destaque de sua atuação. Sobrevivem em decorrência apenas de seus méritos e se erguem cada um ao seu modo. A velha dramaturgia francesa, em um dos seus sugestivos momentos, clamou ao mundo: Ó ciel! Que de vertus vous me faites hair (Oh céu! Quantas virtudes me fazeis odiar). Em outra luminosa oportunidade, voltou a sentenciar ?La vertu dans le monde est toujour poursuivie?, (A virtude no mundo é sempre perseguida).

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