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Opinião

Vida eterna a um grande exemplo

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Um dos nomes mais emblemáticos da Justiça alagoana ? e, por que não dizer, da Justiça brasileira ? morreu ontem em decorrência de graves problemas de saúde. Estava na lista de espera para um transplante de fígado, mas o organismo não mais resistiu. Helder Costa Loureiro, magistrado destacado por sua atuação impecável, alcançou notoriedade quando do julgamento da chamada ?Gangue Fardada?, rumoroso processo que chamou a atenção de todo Brasil há cerca de 20 anos. Aquele julgamento, conduzido com firmeza e destemor foi responsável pela condenação de personagens até então poderosos e selou o desmantelamento de uma extensa rede criminosa. Desde então, o juiz Helder Loureiro passou a ser alvo de ameaças de todos os tipos, a ele endereçadas por gente contrariada com o veredito. Ele não se intimidou, mas teve de mudar radicalmente seu modo de vida, passando a ser vigiado todo o dia, todos os dias. Perdeu a privacidade e a paz cotidiana. E, ao longo dessas duas décadas de vida abreviada pelo surgimento de uma doença incurável, descortinou para o Brasil a precariedade das condições reais do se fazer Justiça de forma imparcial e destemida. O magistrado, ao condenar quadrilhas de alta periculosidade, se condena. Helder Costa Loureiro não foi o único nem será o último ? infelizmente, a fragilidade da segurança pública alagoana e brasileira é um mal enraizado há muito tempo e que se espalha a cada dia mais rápida e perigosamente. Talvez fosse o caso de um ?Programa de Proteção aos Magistrados? que procurasse garantir a vida e um mínimo de tranquilidade aos juízes, promotores, jurados, policiais e quem mais venha a se arriscar diretamente no combate ao crime organizado e aos criminosos de alta periculosidade, cujas condenações não venham a representar perda de poder de fogo. Mas o melhor mesmo para o Brasil seria uma modificação em regra nas políticas públicas de segurança, distinguindo-se o crime organizado e o criminoso contumaz do meliante eventual num ambiente onde palavras como ?recuperação? e/ou ?reeducação? tivessem sentido, assim como ?presídio de segurança máxima? pudesse ser traduzido como algo diferente de um conjunto de escritório de gestão para quadrilhas que atuam simultaneamente dentro e fora das grades.

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