Opinião
DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL
No final dos anos 1970, o Brasil iniciasua luta pela redemocratização. Na área da saúde, a falência dos recursos e a precarização do cuidado passam a estimular mobilização popular intensa. Assim, trabalhadores da saúde, movimentos sindicais e atores políticos importantes consolidam uma participação política efetiva em um movimento que ficou conhecido como Reforma Sanitária, culminando na proposição e construção posterior do Sistema Único de Saúde. É nesse contexto que nasce a Reforma Psiquiátrica Brasileira, impulsionada pela luta social contra a ditadura militar e a favor da melhoria da condição de vida e do cuidado na saúde mental. Nesse período, surgem denúncias de maus-tratos e condições precárias de trabalho em vários hospitais psiquiátricos do País. Em 1978, é criado o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental, que reúne reinvindicações trabalhistas e propostas de transformação da assistência psiquiátrica. Nos anos seguintes à sua criação, observa-se o ingresso de outros atores neste processo, como as universidades, os usuários dos serviços de saúde mental, seus familiares e parte da população, o que resultou na reivindicação mais intensa por uma sociedade sem manicômios e na criação do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, em 1987. Dentro desse movimento, foi estabelecido o dia 18 de maio como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, com o propósito de marcar a afirmação do compromisso social no enfrentamento da questão da loucura e suas formas de tratamento. Na sua origem, a luta antimanicomial está ligada à reivindicação por uma assistência humanizada, mais digna e fora dos manicômios. Na atualidade, ela permanece como movimento social, disseminado por todos os estados do Brasil, que tem como meta a promoção de uma cultura de tratamento, convivência e tolerância, no seio da sociedade, para as pessoas com sofrimento mental. A questão dos direitos humanos, nesse sentido, assume expressão singular, pois se trata da luta pela inclusão de novos sujeitos, que durante anos foram esquecidos nos porões dos hospitais psiquiátricos. Desta forma, na semana do 18 de maio, ocorrem em todo o País atividades culturais, políticas, acadêmicas, esportivas, dentre outras, que promovem o debate e instigam a sociedade a participar e a refletir sobre o tema e sobre a necessidade cotidiana de conviver com as pessoas com sofrimento mental de forma ética, responsável, afetiva e criativa!