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Opinião

Cristo x Papai Noel

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Antes de tudo, é bom esclarecer que não se trata de um confronto entre dois contendores: o Menino Jesus e Papai Noel. Parece interessante esclarecer a origem da figura do Papai Noel, em parte histórica e em parte lendária. A Igreja, no dia 6 de dezembro, faz a memória de São Nicolau que, por volta do ano 350, foi bispo de Mira, hoje Dembre, na atual Turquia. E muito venerado nos países nórdicos da Europa (Noruega, Suécia e Dinamarca) e também na Alemanha, com o nome de Santa Klaus, mas seu culto só se difundiu por toda a Europa a partir de 1087, quando seus restos mortais foram sepultados com grande veneração na igreja, que leva seu nome, na Abadia beneditina de Bari, na Itália. Até aqui a História. Conta-se que seus pais, que ficaram muito tempo sem filhos, obtiveram de Deus com muitas orações a graça de receber um filho. Nicolau perdeu os pais, idosos, muito cedo e, desde jovem, era muito bondoso com os pobres e todos os necessitados. Sua cidade natal teria sido Patara, na Lícia, e nela vivia um fidalgo, empobrecido, que tinha três filhas solteiras, sem poder casar por falta de dote. Esse fidalgo já tencionava vender as filhas, para obter recursos para seu casamento. Nicolau, sabendo disso, apiedou-se das jovens e pela janela de uma delas jogou uma noite um saco, contendo ouro e outros valores, que lhe permitiam pagar o dote. Repetiu esse gesto caridoso na segunda noite, com a outra moça e finalmente, na terceira noite, pôs o saco através da janela da terceira moça casadoira. A lenda não diz se S. Nicolau viajava num trenó, que, aliás, é o transporte esportivo nos países gelados, na época do Natal. Na França, muito recentemente, surgiu, oriunda dessa lenda a figura de Papai Noel, que em bom português, seria apenas Papai Natal, como os italianos chamam de ?Babbo Natale?... O problema pastoral, que eu vejo na difusão da figura de Papai Noel entre as crianças, é a confusão que pode se formar em suas mentes entre o Menino Jesus e o Papai Noel, unidos como personagens centrais do Natal. Um dia, o jovem vai tomar consciência de que Papai Noel não existe, e pode concluir que o Menino Jesus (e o mistério da Encarnação, central na fé cristã) também não existe. Jesus seria uma lenda como o Papai Noel... O outro problema é que o Papai Noel toma o lugar do aniversariante do dia, que é Jesus. E talvez seja possível, que foi nessa intenção mesma que inimigos da fé cristã tenham criado a figura de Papai Noel, para substituir Jesus no Natal, uma vez que o Natal ocupa lugar de relevo entre as festas de toda a cultura cristã. O perigo, ao meu ver, é que no Natal consumista de nossos dias, em que o Papai Noel é figura principal, esquecemos o divino aniversariante, que é Jesus, esquecemos os meninos de rua, as crianças pobres, que são perto de nós a mais perfeita imagem do Menino da manjedoura, esquecemos que Deus se fez um de nós e foi nascer da Virgem numa humilde manjedoura, cercado de animais e adorado pelos pastores. Com o símbolo do consumismo, o Papai Noel diante de nós nas lojas e supermercados - e agora já há a Mamãe Noel, mais sedutora - não esquecemos a ornamentação natalina, não esquecemos os presentes para os amigos, não esquecemos os cartões de Natal, às vezes, pouco sinceros. Mas esquecemos o Menino Deus, que por amor veio até nós para nos ensinar a amar... (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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