Opinião
Na maconha ou contra a Copa: onde est�o os baderneiros?
E não é que a Marcha da Maconha rolou tranquila em Maceió? O número de participantes não foi lá tão expressivo, cerca de 300 caminhantes, mas indubitavelmente garantiram seu lugar nas efemérides locais para a primeira manifestação (expressiva) de rua pró-erva em Alagoas. Quem diria? A defesa do livre uso da liamba, ainda num momento no qual o termo ?maconheiro? ainda faz parte do jargão policial, se realiza em paz. Mesmo com momentos de tensão menos conta da presença ostensiva da polícia e mais devido a uma tentativa da burocracia municipal obstruir a passeata por esta, segundo os fiscais, não ter preenchido todos os papéis e recebido os devidos carimbos e números de protocolo. Mas, afastada a ameaça municipal, os defensores da liberdade total para a ?Maria Joana? foram-se livres, leves e soltos pelas orlas de Ponta Verde e Jatiúca. Inclusive, tomaram o cuidado de não obstruir o tráfego, ocupando apenas uma faixa da pista de rolamento e deixando outra liberada para os veículos. Tudo na paz e no amor. Faltou apenas alguém bradar ?é uma brasa, mora!? como palavra de ordem ou solicitação de alguma centelha destinada a acender algo além de lampiões. Sinais dos tempos. Transformações ainda mais emblemáticas se comparadas com os tumultos provocados sob a bandeira, antes sagrada e pacífica, da Copa do Mundo. Até a pouco tempo frente a uma pergunta do tipo: ?Qual a manifestação mais perigosa ? uma caminhada em defesa da maconha ou um ato sobre a Copa do Mundo??, o que você responderia? Pois até junho do ano passado, mesmo sob o império da violência das torcidas organizadas, qualquer manifestação sobre a Copa do Mundo seria pacífica e alegre, enquanto a tensão recairia sobre um protesto acerca da liberdade para o uso da maconha. Os retrógrados devem estar perplexos. ?Maconheiros? se manifestando de forma ordeira, firme e simpática ? enquanto verdadeiras quadrilhas se lançam em lisérgicas ondas de violência gratuita tendo como bandeira a estultice ?não vai ter Copa!?. Quem diria!? Mas é assim que as coisas estão. E que não se torça para que o movimento em defesa da maconha venha a regredir até práticas baderneiras, muito pelo contrário: que eles sigam dando exemplo de civilidade. Quanto aos baderneiros contra a Copa, que tomem juízo ou sejam tratados pela polícia.