loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Menores infratores e seu calv�rio cotidiano

Ouvir
Compartilhar

Turbinado na mídia através da recente vistoria do presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Joaquim Barbosa, o cenário dantesco descortinado no ambiente destinado a recolher menores infratores provocou impacto e fez com que a autoridade federal exigisse medidas imediatas por parte do governo estadual frente à terrível situação presenciada in loco. O tempo vai passando e novas vistorias vão atestando que aqueles ambientes continuam lúgubres, decadentes e deformantes. Verdade é que a realidade das instituições destinadas a receber e a recuperar menores infratores é horripilante em todo o Brasil. E as denúncias de todo o tipo de desmando se repetem especialmente no estado de São Paulo, onde rebeliões e tragédias mortais passaram a fazer parte do cotidiano desses órgãos, a ponto de suas denominações serem mudadas periodicamente, de forma que a antiga e soturna Febem já não responde por esse nome e sim ?Fundação Casa? ou algo do tipo. A política é cambiar de nome para ver se a folha corrida de desmandos, violências e indecências possa vir a ser esquecida. Alagoas também faz parte desse cenário de degenerescência da missão de recolher e ressocializar o menor infrator. A grande contradição do sistema é que, ao invés de recuperar, essa máquina atrofiada remodela o jovem delinquente em um ser muito mais perigoso. Não forma nem reforma, e sim deforma a quem quer que tenha a infelicidade de cair em sua teia. Esses locais não educam nem reeducam, e sim deseducam através das condições mais promíscuas, do ócio viciante, da submissão dos menos experientes aos mais perigosos. Os ambientes físico e moral não deixam saídas a quem possa ser recuperado, cuja única via de sobrevivência nessas jaulas passa ser a desumanidade. Calejar-se na vilania é o caminho para não ser engolido pelos vilões mais calejados. O amontoado de jovens sob as condições mais insalubres e a ausência de programas educacionais minimamente eficientes formam o caldo de cultura para o desenvolvimento das piores cepas. Esses ambientes são, há muitos anos, escolas de formação de criminosos e túmulos das esperanças daqueles que gostariam de se recuperar e lutar por um lugar ao sol. E nada é feito para se mudar essa realidade. Até quando?

Relacionadas