Opinião
Algo no ar al�m dos avi�es de carreira...
Afinal, qual mesmo o motivo da ?greve nacional? de 24 horas dos policiais civis? Segundo os organizadores declararam à imprensa, a pauta seria ?melhores salários e [melhores] condições de trabalho?. Um tanto quanto vago e genérico, pois essas bandeiras só se tornam plausíveis quando negociadas em cada estado da federação, considerando que os salários e as condições de trabalho variam muito em função das disparidades regionais e estaduais. Um pouco antes do início da paralisação, os organizadores informaram que 13 estados faziam parte do movimento, a saber: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Uma articulação expressiva e díspar. A tal ponto que se alguma autoridade viesse a discutir com um grupo de tamanha diversidade, o que teria a oferecer? Como toda manifestação de um dia, seu papel é fundamentalmente político e não sindical. Busca-se, nesse método, exclusivamente dar uma demonstração de força e não de poder de negociação. Considerando-se que as polícias civis lutam em cada unidade federada por uma pauta específica, fica evidente que a movimentação de ontem não teve como alvo os governos estaduais. Apontou-se para outro objeto. Até prova em contrário, o centro das atenções dos grevistas teria sido o governo federal. Afinal, qual outro destinatário de uma manifestação nacional? Mas o governo federal não tem como discutir uma pauta que não é sua. Os policiais paulistas têm de resolver suas demandas com o governo de São Paulo, assim como a polícia alagoana precisa se acertar com o governo de Alagoas ? da mesma forma que todas as polícias estaduais com seus respectivos governos de Estado. Inútil do ponto de vista sindical, salarial e das famosas ?condições de trabalho?, a inopinada greve de um dia faz reverberar uma pergunta instigante: está a serviço de quem e do quê? Haveria ?forças ocultas? na área, como diria o finado Jânio Quadros?