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Opinião

Interessa a quem o caos nas ruas?

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Apesar de surpreendente, pois ninguém ? nem a mídia partidarizada ? esperava a paralisação de parte dos motoristas dos ônibus urbanos na cidade de São Paulo, essa mobilização se insere perfeitamente no clima de confronto organizado que tem eclodido em todo o País depois de junho do ano passado. Engajada numa feroz campanha anti-Dilma, alguns dos principais veículos de comunicação patinaram nas primeiras manchetes e hesitaram em classificar os tumultos desses últimos dois dias no mesmo espectro dos baderneiros do tipo: ?Não vai ter copa?. Aparentemente, a balbúrdia foi provocada antes da hora, deixando perplexos seus mais prováveis apoiadores. Mas é evidente que a motivação econômica, típica dos movimentos grevistas, é pauta secundária. Nos primeiros momentos, nem eles próprios sabiam dizer o que reivindicavam. Apenas um dia depois dos tumultos nas ruas, às pressas, uma lista de exigências foi alinhavada, num rol que inclui bandeiras como o ?aumento de 10% no vale-refeição?, mas nada que destoe da pauta encaminhada, e em discussão, pelo sindicato da categoria. Inseguros, os analistas da grande mídia conseguiram listar três hipóteses óbvias para o acontecimento: 1) Mais um capítulo da guerra interna entre as lideranças pelo controle do sindicato; 2) Um movimento ?espontâneo? do tipo mobilizado por ?rede social?; 3) Interesses das próprias empresas de ônibus que buscariam pressionar a prefeitura paulistana por contrato mais generosos. Faltaram incluir uma quarta possibilidade: Articulação financiada por grupos políticos interessados em espalhar um clima de tumulto nas principais cidades do País com vistas a prejudicar o governo federal na campanha eleitoral em curso. Meras hipóteses. Mas é preocupante o crescimento da tendência de realização de manifestações violentas ? eventualmente, mobilizadas até em torno de bandeiras justas ?, cujo alvo é a população brasileira, especialmente suas camadas menos favorecidas. A recente paralisação dos ônibus na capital paulista prejudicou mais de um milhão de passageiros, submetendo-os à provação de perda do direito de ir e vir durante dois duros dias. Essas pessoas, trabalhadoras e pagadoras de seus impostos, estão excluídas de quaisquer negociações e nada podem reivindicar. São vítimas de um processo irresponsável e politicamente dirigido.

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