Opinião
O OCULTO, PARA DEUS, E O REVELADO, PARA N�S...
?As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre? (Dt 29,28). Essas palavras sempre me comoveram! Neste mundo, há tantas realidades que não conseguimos compreender; tanto nos acontece e nos deixa com a sensação de vazio, de total falta de sentido! Tantas perguntas; tão parcas respostas! Nem todo o progresso tecnológico conseguirá elucidar o mistério da existência e os tantos enigmas que a povoam! Não me refiro aos pequenos mistérios das incríveis leis da natureza... Esses são mistérios menores... Refiro-me àqueles grandes, indecifráveis: Por que existimos? Para que vivemos? Qual o sentido de tudo? Por que a dor, o amor, a sede de felicidade, realização e plenitude? Qual o sentido último da história humana? Qual o sentido daqueles que mal nasceram e já morreram, ou ainda nascituros? Qual o sentido dos que passam a vida sofrendo, pelas tremendas vicissitudes da existência? Que sentido? Que consolo saber que há um Deus no céu: ?As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus!?. Ele tudo sabe, Ele tudo pode, Ele tudo tem nas Suas mãos benditas. E isto me basta! E eu, que nem criança manhosa, descanso Nele, repouso no Seu coração divino, amoroso e sábio e me abandono docemente nas Suas mãos carinhosas. Não sei; Ele sabe. Não posso; Ele pode. Não compreendo. Ele tem tudo em Suas mãos providentes. ?As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus!?, não a ti, homem teimoso e orgulhoso. ?Mas, as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre!?. Eis! O que realmente importa que saibamos, o que realmente nos salva e basta para dar sentido à vida, o Senhor nos revelou, são para nós e para que ensinemos àqueles que virão depois de nós! O Senhor não nos revela aquilo que não nos pertence. Não nos dá satisfação! Revela-nos o essencial, o suficiente para que compreendamos que Ele é presença, que é amor, que é Deus fiel. Aquilo que nos revelou não é para matar nossa curiosidade, mas para nos comprometer com Ele, no seguimento da Sua santa vontade. Seus preceitos não são um fardo, mas setas que indicam o caminho e descortinam, pouco a pouco, para quem se põe a segui-Lo, o sentido verdadeiro, simples e profundo da existência. Por isso, valem aquelas duas bênçãos presentes no judaísmo: a primeira: ?Bendito sejas Tu, Senhor nosso Deus, que guardas os segredos!?; a segunda: ?Bem-aventurados somos nós, ó Israel, pois a nós foram reveladas as coisas que agradam a Deus!? (Br 4,4).