Opinião
A necessidade de reconhecer �xitos
Uma notícia abalou a saúde dos adeptos juramentados do ?quanto pior, melhor?. A turma que faz das tripas coração para a ampliação do pessimismo e do derrotismo em nosso país deve ter entrado em choque anafilático com a notícia dando conta de que o Brasil alcançou a meta assumida no badalado compromisso global ?Objetivos de Desenvolvimento do Milênio?. À época desse compromisso, poucos acreditavam que o Brasil viesse a honrar a meta apalavrada. Mesmo mentes independentes e até sinceros corações governistas, daqueles com perfil estelar rubro, desconfiavam da carga de reduzir em dois terços os índices de mortalidade infantil em apenas cinco anos. E não é que o Brasil conseguiu? Conseguimos! Não é coisa de somenos importância, e se a elite midiática nacional não estivesse tão engajada na campanha anti-Dilma era o caso de divulgar dignamente esse feito, pois, sem nenhum favor a quem quer que seja, é algo notável. Em 1990, o índice de mortalidade infantil era de 53,7 óbitos por mil nascidos vivos, e caiu para 17,7 em 2011. Divulgado na sexta-feira, 23, o relatório consubstanciado comprova que o Brasil atingiu a meta antes do prazo estipulado (em 2015). Trata-se de um grande êxito. A mesma vitória, porém, ainda não foi alcançada no quesito de redução das mortes maternas. Aqui, ainda temos problemas para atingir, como o compromisso de baixar o índice para algo como 35 mortes por 100 mil nascimentos, pois os indicadores de 2011 apresentam a triste marca de 63,9 falecimentos maternos por 100 mil nascimentos. Mesmo com esse revés, é indispensável destacar que o quadro era muito mais dantesco em 1990, quando foram registradas 143 mortes por 100 mil partos. Avançamos muito, mas precisamos avançar mais. E para irmos mais adiante, rompendo barreiras e vencendo obstáculos, é indispensável a capacidade de serem feitas avaliações isentas do preconceito político, e, no atual momento, a grande tarefa é combater a onda de pessimismo que se tenta impingir ao povo brasileiro. Esse afã derrotista é movido, exclusivamente, pela incapacidade das elites brasileiras entenderem o jogo democrático, assumindo que podem, novamente, perder uma eleição presidencial. Nada mais simples e civilizado. Nada mais necessário para que o crescimento brasileiro, em todos os campos, possa ser impulsionado por uma crítica honesta, justa e despartidarizada.