Opinião
PODER, DINHEIRO, TRAI��O
Conta a Lenda Africana que um sapo passeando pela estrada encontrou um bicho fino, comprido, brilhante e colorido deitado no caminho. Admirado, perguntou o que aquela coisinha fazia ali, estendida, ao que ela respondeu ser uma cobra e que se banhava ao sol. Ficaram amigos e passaram o dia inteiro a brincar e a ensinar o que um sabia para o outro. Pular, rastejar, subir em árvores se enroscando, até que, exauridos de tanta atividade, voltaram para suas casas. Ao contarem a aventura para os pais foram alertados de que as famílias cobra e sapo são inimigas, portanto, não podiam se aproximar uma da outra. ?Prazer de cobra é engolir o sapo?. Não mais ficaram juntos, porém, talvez pela inocência de ambos, não esqueceram que um dia foram amigos e a cobrinha jurou que nunca trairia o sapo. Entre humanos, esse sentimento não é assim tão sincero e romântico. Basta jogar dinheiro e poder no tabuleiro das ambições para ser declarada a guerra. Na política, os neurônios fervem e, na mesa da disputa, o blefe é a estratégia mais leve para afastar o inimigo da luta, se possível desmoralizando logo. A mentira pode ter pernas curtas, contudo, não intimida as trapaças para jogar migalhas na mesa dos miseráveis e os convencer de que agora são os novos ricos da nação. A traição faz parte da construção da humanidade mudando rumos, regimes. As histórias romana, grega e tantas outras são pródigas em episódios assim. Cristo que veio ao mundo para salvar a humanidade foi traído e entregue para a morte por um dos seus ?fiéis? escudeiros. Na Revolução Cubana, os ditadores Castro foram traídos pela irmã Juanita, que, durante anos, trabalhou como informante para a CIA, dentro de Havana. Calabar continua conhecido como um dos primeiros traidores no Brasil ao se aliar aos holandeses. Na Câmara de Vereadores de Maceió, irmãos saem no tranco para provar que um pode mais que o outro. Mas, traído mesmo por ?sapos? e ?cobras? está o povo brasileiro, cansado de mentira, farto de demagogia, de gatunagem à luz dia. De impunidade e violência descontroladas com bandidos mandando nas polícias; gente morrendo diariamente na porta de hospitais sucateados. Escolas tomadas por delinquentes distribuindo papelotes de maconha e craque, acabando de marginalizar uma juventude já destruída pela ausência da mão do Estado.