Opinião
Quem se aflige com a vontade do povo?
Murchou a bola da turma anti-Dilma: a mais recente pesquisa (do Ibope) constatou que a presidente recuperou três pontos percentuais, retornando ao invejável patamar de 40% das intenções de voto. Embora as candidaturas queridinhas das elites destronadas tivessem também amealhado bons percentuais, o clima foi de tamanha decepção que os dois comitês (PSDB e PSB) correram para divulgar que ?comemoravam? seus respectivos crescimentos de seis e cinco pontos, respectivamente. A bem da verdade, deve-se dizer que as candidaturas Aécio Neves e Eduardo Campos auferiram seus melhores percentuais em um ano de intensa campanha. Pela primeira vez desde que seu nome foi lançado, pelo ex-presidente FHC, ainda em outubro de 2014, Aécio Neves atingiu a marca de 20%! E pela primeira vez desde que se lançou como candidato presidencial, Eduardo Campos cravou dois dígitos. São, indubitavelmente, duas grandes vitórias para o neto de Tancredo e para o neto de Arraes. Mas o que exaspera a casa-grande é a força eleitoral de Dilma Rousseff. Como é possível alguém resistir a tamanho bombardeio midiático e político? E o pior é que, cada vez que uma pesquisa registra uma queda significativa nas declarações de voto à reeleição da presidente, ela se recupera do tropeço na próxima enquete. Isso é o que está enlouquecendo quem se considera o cráme de la cráme tupiniquim: os trabalhadores, e os menos favorecidos socialmente, poderão reeleger, por mais quatro anos, sua candidata à condição de presidente da República. Para essa turmam, isto é insuportável, intolerável. A constatação do vigor político e eleitoral de Dilma Rousseff provocará novas ondas de ferozes ataques nos quais se acrescentará, ao velho ódio preconceituoso de antes, o atual desespero causado pela pouca eficácia eleitoral da brutal campanha levada adiante ao longo de quase dois anos. Lamentavelmente, a imagem do Brasil continuará sendo alvo dessa sanha elitista, pois essa turma considera que o bom para nosso país poderá ser ruim para seus devaneios eleitoreiros. É previsível a radicalização do ?quanto pior, melhor?, infelizmente.