Opinião
DITADURA ECON�MICA
O avanço da extrema direita no século 21, em várias partes do mundo, vem sendo respaldado por uma mídia que coonesta interesses vinculados ao chamado mercado, distantes da sociedade. A Veja, que já ombreou com os princípios democráticos (vide a época da ditadura militar) tem sido o arauto dessa tendência. A revista, que o senador Fernando Collor tachou de esquipática, em pronunciamento no Senado da República, publicou há poucos dias, reportagem sobre Portugal: ?sete em cada dez portugueses reprovam o governo do primeiro ministro Pedro Passos Coelho. O índice, respaldado pela taxa de desemprego de 15% contrasta com o melhor momento da economia desde 2010. (...) o país readquiriu a capacidade de tomar dinheiro emprestado no mercado para financiar os seus programas. (...) mas teve de se comprometer com um programa de saneamento de suas finanças. Um remédio amargo que ampliou a insatisfação popular?. A revista conclui que nada disso importa diante da ?reconquista da confiança do investidor estrangeiro?. Em suma: estamos de volta ao velho colonialismo. A mesma revista assesta suas baterias contra a presidente Dilma Rousseff. Em editorial diz: ?Dilma terá o desafio de defender seus quatro anos em Brasília ? e não existe quem possa descrever suas políticas como amigáveis aos mercados?. A chamada grande imprensa está claramente contra o governo popular e a favor do mercado e do investimento estrangeiro. Uma prova disso foi o tratamento dado à divulgação dos últimos números das pesquisas eleitorais. Aécio Neves e Eduardo Campos subiram alguns pontos e a mesma Veja saudou ?os ventos mudaram?. O assunto foi manchete de capa em vários jornais. Só que enquete mais recente mostra que a presidente venceria a eleição ainda no primeiro turno. A informação foi dada com destaque mínimo. Mais uma vez, o mercado, ou como dizem os economistas, o status quo, ditando as regras. Outro dado curioso diz respeito às manifestações das ruas. Nesta semana, várias categorias (professores, policiais, motoristas) fizeram protestos e greves. As ações são contra os patrões não contra o governo federal. Contudo, a mídia do mercado tenta confundir a sociedade, semeando pânico, tentando dizer que reivindicações trabalhistas são sinônimo de baderna, que trabalhador não pode governar um país, que apenas pessoas bem nascidas e afinadas com os interesses econômicos internacionais estão aptas a nos conduzir. É que chamamos de ditadura do mercado. E contra ditadura o remédio é democracia.