Opinião
Jogo sujo: a �tica de ocasi�o em campo
Para quem duvidar pudesse, a repentina mudança de opinião do ex-craque Ronaldinho sobre a Copa do Mundo no Brasil comprova como e quanto o olhar eleitoral tem imposto o foco a essa questão. Antes de qualquer coisa, que seja reconhecido o direito de qualquer cidadão cambiar de opinião quando bem quiser e entender, assim como é inviolável o direito de toda pessoa declarar seu voto ? sendo essa uma atitude cidadã, digna de elogios, pois enriquece o processo eleitoral. Ninguém pode ser criticado por se expressar da forma que achar mais adequada na hora que considerar conveniente. Igualmente, ninguém está imune a críticas, ilações e todo tipo de comentário sobre o expressado da forma que achou mais oportuno e no momento que considerou conveniente. Desde tempos imemoriais, a filosofia popular já vaticinava: ?Quem fala o que quer, ouve o que não quer?. Com todo o respeito que o Fenômeno merece, sua mudança radical de opinião sobre a Copa do Mundo no Brasil revela a forma mais decrépita e mais criticável de se fazer política. Esse formato oportunista, farisaico, centra sua ação na dupla moralidade, na ausência de ética, na manipulação dos fatos e no atiramento dos fatos históricos ao lixo. A dupla moralidade fica clara, por exemplo, quando a crítica à Copa do Mundo no Brasil apenas encontra falhas onde essas possam ser assestadas ao governo federal e/ou aos governos locais aliados ao Planalto. O desrespeito aos fatos históricos fica claro quando uma pessoa que esteve na linha de frente em todas as etapas de preparação para o evento e que, de forma pública e desabrida, era capaz de explicar passo a passo o esforço, avaliando e avalizando o trabalho realizado, assim como defendia com unhas e dentões a realização da Copa do Mundo no Brasil (desde dezembro de 2011 a abril de 2014) é capaz de chocar a todos que acompanharam sua trajetória recente ao emitir uma declaração de que ?se sentia envergonhado? com o que havia sido realizado... É? E como não viu nada que o envergonhasse ao longo de três anos, inocente? Não sem motivo, concomitantemente à fala desmentidora de suas falas anteriores, o fenômeno posta uma vistosa foto sua ao lado de um candidato oposicionista, declarando-lhe voto à Presidência da República. Fenomenal...