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Opinião

MILAGRE DAS RUAS

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No cenário das expectativas da Copa mundial de 2014, num clima da paixão incontrolável dos brasileiros, existe um apelo musical conclamando todos para ?nossa festa na rua?. Uma convocação para contagiar de alegrias a população e substituir adversidades reinantes em consagradora conquista. As praças e as ruas sempre foram palcos das diversas manifestações populares, espaços de festivos encontros, de emoções lançadas no ar, das contestações e dos sonhos legendários. Ambiente propício aos olhares descobridores, aos diálogos sentimentais, às mãos entrelaçadas que falam das esperanças e aquecem o coração. Os franceses cultivam a expressão ?la rue qui est à nous?( a rua que é nossa ) representando uma lembrança da universalidade dos citados sentimentos que pertencem às várias gerações e às diversas pátrias. Um aplaudido grupo musical francês possui uma canção denominada La rue ketanou, nome da própria banda, cujo refrão é cantado em português, porque um dos seus integrantes nasceu em Portugal: ? não sou eu que sou da rua; é a rua que é nossa?. A composição popular brasileira que agita a intensa alegria da Praça Castro Alves evoca as palavras do memorável poeta dos escravos ? A praça é do povo/Como o céu é do condor ? canto de liberdade, grito de bravura, dando asas à imaginação, em ritmo de independência e espírito redentor. Declarados entusiasmos possuem componentes de alma política, de superação esportiva e de fortes anseios humanos. Comemoram momentos históricos, edificam os romances da vida e se tornam fervorosamente memoráveis. Miguel de Cervantes, expressão da literatura universal, afirmou em um dos seus escritos - El camino es siempre mejor que la pousada ( o caminho é sempre melhor que a morada) ? aludindo às divagações sugeridas nas estradas de vida, às doces ilusões das imagens inesperadas e às movimentações que renovam forças e justificam as conquistas da existência humana. As vozes das ruas não cultivam monotonias, desejam somar as emoções de cada momento vivenciado pela sociedade dos homens. Vibram, plantam simbolicamente árvores e erguem homenagens em prol do fortalecimento de nossa memória pessoal e coletiva. O sentido amável da letra da citada canção francesa, se torna mais uma vez, oportuno: ?ganhamos as causas perdidas, preservando a juventude, seu entusiasmo, sua algazarra, sua raiva e sua ternura?.

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