Opinião
O velho mundo e as ideias velhas
Terremoto tem sido o vocábulo mais usado pelos comentaristas europeus para definir tremor, e temor, saído das urnas para o Parlamento Europeu. As estrondosas votações alcançadas pelos partidos de direita chamaram a atenção para um problema tão antigo quanto assustador: o fortalecimento político dos partidos abertamente direitistas. Na Inglaterra, o obscuro UKIP (Partido da Independência do Reino Unido, em tradução livre) sagrou-se o grande campeão de votos, amealhando, com 25,5% dos sufrágios, 23 cadeiras, superando os tradicionais Trabalhistas (18 cadeiras) e Conservadores (18 cadeiras). Na França, um assustado e humilhado presidente François Hollande, descreveu como ?dolorosa? a derrota sofrida por seu Partido Socialista para a Frente Nacional (de extrema-direita). Marine Le Pen, legítima herdeira do espírito da República de Vichy, recebeu 25% dos votos, deixando aos socialistas uma vergonhosa terceira posição, com 14% do eleitorado. A agremiação conservadora liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy faturou a segunda colocação, com 20% dos eleitores. Considerando-se uma contabilidade com certo matiz otimista, a direita europeia ganhou 330 cadeiras nestas eleições para o Parlamento Europeu, na seguinte composição: 212 assentos para o bloco de centro-direita, 44 para os ?eurocéticos conservadores?, 36 para os ?eurocéticos radicais? e 38 para um grupo ?sem bancada? donde fulgura a fascista Frente Nacional francesa. Mas não pode ser considerada uma ?grande surpresa?, afinal as ideias e os ideais de direita sempre contaram com um grande apoio de massa no Velho Mundo. Além do partido Nazista ter sido democraticamente eleito pela maioria dos alemães, nos anos 30, ao mesmo tempo, Mussolini teve imenso apoio de seu povo. Até o próprio monarca inglês, Rei Eduardo VII foi um admirador confesso de Adolf Hitler, fato que o levou ao destronamento em 1936) Os franceses, por sua vez, nunca conseguiram explicar como perderam a guerra tão rápido e como colaboraram com o invasor nazista tão profundamente. Infelizmente, a história está cheia de exemplos vergonhosos de como a direita mais radical seduz corações e mentes (também) na Europa tão orgulhosa de suas tradições democráticas.