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Opinião

A banalidade do mal em vers�o tropical

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Enquanto o Brasil se choca com as cenas violentas das manifestações realizadas em São Paulo contra os ônibus urbanos, em Maceió outra forma de violência ainda mais danosa e perversa grassa protegida pela incapacidade policial e pela banalidade que paira sobre toda a anormalidade praticada como se fosse coisa corriqueira. E, depois de muitos anos de completa inação dos poderes públicos frente à sanha dos assaltantes de passageiros, motoristas e cobradores dos coletivos da capital alagoana, parece que de tanto sofrer o povo foi se acostumando, aceitando a cruz como uma penitência cruel, mas inexorável. Nada disso! Esta é uma situação intolerável, inaceitável. Segundo os dados divulgados recentemente, a média de assaltos a coletivos em Maceió estaria na ordem de 100 ocorrências por mês. Nos primeiros cinco meses deste ano, já foram registrados 500 delitos desse tipo. E quantos assaltantes de ônibus foram presos nesse meio tempo? A divulgação deste número absurdo talvez tenha o condão de fazer despertar o sentimento de indignação e revolta da cidadania contra tal desmando. Ou não? Será que a repetição inclemente desse tipo de iniciativa criminosa teria criado calos tão monstruosos na população vitimada, que esse tipo de crime passou a ser considerado ?normal?? Segundo os registos do 9º Distrito Policial, estão estacionados naquela especializada 526 inquéritos relativos a assaltos contra passageiros, motoristas e cobradores, desde 1º de janeiro deste ano até o dia 29 de maio. Vamos torcer para que nesses dois dias faltantes novas ocorrências não venham a acontecer. A linha campeã seria a que depena seus usuários entre a Ufal e a Ponta Verde, circuito que exibe a nada olímpica marca de 64 assaltos nesses primeiros cinco meses de 2014. Será quem nenhuma autoridade acha um absurdo esses números? Com tantos protestos sendo promovidos por conta de causas ? digamos ? menos escandalosas, por que as comunidades de usuários, os trabalhadores e empresários do transporte coletivo não saem às ruas, em fúria, gritando ?não vai ter assalto!!?? Esse tipo de bandeira precisa entrar na moda. Afinal, tentar impedir que trabalhadores sejam assaltados nos ônibus é bem mais necessário, do ponto de vista cidadão, que tentar impedir a Copa.

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