Opinião
Desafio real e improrrog�vel
Verdade é que muitos dos problemas que afligem a gestão Dilma Rousseff independem da vontade política e/ou de medidas administrativas da presidente. A maioria dos percalços que fizeram os resultados do atual governo se afastarem dos êxitos do período Lula e se aproximarem perigosamente dos revezes de FHC está ligada às intempéries da economia e situam-se bem além do poder e da competência pessoal de qualquer pessoa. Mas uma questão não pode ser listada dentre os obstáculos inexoráveis: o atraso nas obras e o atrofiamento dos projetos para novas unidades geradoras de energia. Aqui, neste ponto, o governo Dilma sofre da mesma intimidação que apavora tucanos e outros animais políticos. Todos recuam diante das chantagens e pressões dos segmentos irracionais do movimento ambientalista. Além dos vergonhosos recuos que mutilam projetos estratégicos como a Hidrelétrica de Belo Monte ? reduzida a um ínfimo reflexo do que era a ideia original ?, as obras contratadas se arrastam, vitimadas por todo o tipo de dificuldade. O atraso nos cronogramas leva a coisas como a redução das potências programadas para entrarem no sistema ano a ano, como no caso do acréscimo, previsto para 2013, de 8.600 megawatts de novas gerações, mas dos quais apenas 6.000 megawatts foram executados. Segundo técnicos do setor, ouvidos num debate promovido pelo site GGN, ?Os reservatórios das hidrelétricas que atendem à principal região consumidora de energia ? Sudeste-Centro Sul ? ainda está abaixo de 38%, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) do dia 29 de maio. A situação poderia levar o País à situação de racionamento de energia elétrica semelhante a 2001, o que só não ocorreu graças às termelétricas, que hoje compõem 30% da matriz?. Em verdade, o fantasma do fracasso energético que marcou o governo FHC assombra não só o medíocre governo paulista (que chegou a comemorar o uso da reserva estratégica chamada ?volume morto? há poucos dias) mas assusta, também e verdadeiramente, o governo federal. Apesar do tempo perdido até agora, ainda é tempo de se enfrentar esse desafio real e improrrogável ? ou fechar os olhos e ceder às trevas.