Opinião
ENTRE O AMOR E O �DIO
Juan Eduardo Couture foi um consagrado jurista uruguaio, reverenciado no idos dos anos 40 e 50 pela sua admirável sabedoria do direito. Não somente em seu país, como em todo o mundo, foi visto com respeito. É dele a expressão: ?Da dignidade do juiz depende a dignidade do direito. No dia em que os juízes têm medo, nenhum cidadão pode dormir tranquilo?. Se em cada tribunal brasileiro existisse um Joaquim Barbosa, o cidadão brasileiro com certeza dormiria muito mais sossegado. Vai-se o juiz que honrou a toga que cobriu a sua lombar quase sempre magoada pela dor persistente. Fica o legado e exemplo de um cidadão que orgulhou os seus conterrâneos brasileiros pela postura ética, justa e corajosa. Venceu ameaças que nenhum outro, talvez, fosse capaz de suportar. Superou temperaturas abrasadoras, foi desacatado nas ruas por militantes insanos. Afasta-se da magistratura amado pelo povo do seu país e odiado pelos malfazejos rapineiros do dinheiro público. Os petistas, expelindo seus bafos rancorosos, comemoram, fazem festa e dizem que o ministro será esquecido no fundo do baú da história. Os mesmos que antes do desfecho do mensalão desafiavam e ameaçavam: ?A nossa militância vai julgar o julgamento?. Pretendiam assustá-lo, intimidá-lo. Ledo engano da canalhada porque o negro Joaquim Barbosa já é parte de uma época inesquecível na história do Judiciário no Brasil. É exemplo para os jovens acadêmicos de direito nas muitas universidades, cujo governo populista relega a planos insignificantes. Não se submeteu à vontade de insolentes poderosos. Sua postura foi independente, isenta. Não foi covarde, nem submisso. Prestou um grande serviço à Nação exercendo simplesmente o honroso papel de juiz como outros deveriam fazer com a mesma grandeza moral. Assim como o médico que estudou para curar, o engenheiro para construir, o padre para salvar almas, o professor para ensinar. Do livro Assassinato de Reputações ? um Crime de Estado, de Romeu Tuma Júnior, transcrevo uma frase de Ruy Barbosa lá encontrada, muito oportuna e atual: ?De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agitarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto?.