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Opinião

O ABUSO DE MEDICAMENTOS

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Os médicos mais antigos ainda se lembram do tempo em que o número de exames complementares de que se dispunha era bem limitado. Há 50 anos, as radiografias eram solicitadas em casos excepcionais. Ultrassonografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas não estavam disponíveis. O médico, como se fosse um detetive, corria atrás do criminoso, que, no caso, era a doença de que o paciente estava acometido. A maior arma de que dispunha o profissional consistia num minucioso exame clínico. Na evolução que se seguiu, a descoberta dos antibióticos foi festejada como um fato histórico na área terapêutica. Mas a alegria durou pouco. O abuso desses medicamentos provocou o aparecimento de micróbios e bactérias resistentes. Nessa guerra, quase sempre os micro-organismos mostram-se mais ágeis que a indústria farmacêutica, que não para de produzir antimicrobianos cada vez mais potentes. Um professor de Farmacologia costuma referir-se aos medicamentos dizendo: ?O veneno que mata pode ser o remédio que cura. Tudo depende da dosagem empregada. Há medicamentos tão tóxicos, que se forem jogados ao mar provocam a morte de grande número de peixes?. Aspirina, elixir paregórico, dipirona, antibióticos, vitaminas e expectorantes são utilizados de forma indiscriminada na vida familiar. As mães tornam-se preocupadas ?médicas do lar?; as vizinhas, ?doutoras? que medicam, os balconistas, ?especialistas? que orientam e aconselham. Recentemente, revista não científica publicou pormenorizado estudo sobre o uso e efeitos da automedicação. ?Tomar medicamentos por conta própria pode causar tanto mal quanto uma doença. Todo ano, 30 mil brasileiros morrem por causa de automedicação?. Um número exagerado no meu modo de ver e entender. Se esses números forem reais, a automedicação assume a quarta posição como causa de mortes no País, somente superada pelas doenças cardíacas, câncer e acidentes de trânsito. Imaginem a situação: uma senhora teve a bolsa roubada em plena via pública: lágrimas, protestos, gritos, angústia. Seu primeiro pensamento foi para documentos e dinheiro perdidos; o segundo ? sua preocupação maior ? foi com os remédios que estavam na bolsa, que toma diariamente e nem lembra o nome de todos. Remédios são necessários, quando necessários. Substituir comida por remédio é erro absurdo. Automedicação é arma de dois gumes; pode ter vantagens, mas suas desvantagens são evidentes.

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