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Opinião

Quem se lembra dos bailes das debutantes?

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Se alguém pudesse ainda duvidar, a fútil motivação do brutal assassinato da jovem Dayse Larissa Souza de Melo deve ser mais do que suficiente para convencer sobre a grandeza da tragédia vivida por Alagoas. Larissa foi covardemente trucidada aos 14 anos plenos de graça, alegria e felicidade de viver, pelo simples fato de ser namorada de um desafeto do bandido que a alvejou. O meliante que atirou na jovem também é jovem: 19 anos. Candidamente, confessou que disparou quase à queima-roupa, vários projéteis, na cabeça da vítima indefesa, porque não conseguiu matar o namorado dela. Ronaldo, de 18 anos, o namorado, conseguiu escapar da sanha assassina de Edvaldo, mas Larissa, sem chance de defesa, pagou uma conta que não devia. E que conta tão significativa seria essa? Apenas mais uma disputa entre traficantes. Simples assim. Dois jovens, de 18 e 19 anos, antes parceiros ? pelo que tudo indica ? entraram em conflito. Confronto mortal, alimentado à bala, com cenas de perseguições, emboscadas e tiroteios. Coisa banal, típica do cotidiano do tráfico, afinal, pelas informações recolhidas pela delegacia responsável pelo caso, o assassino da garota já teria tirado a vida de duas outras pessoas, ambas provavelmente integrantes do mesmo bando de traficantes. Ronaldo, cuja namorada foi morta em seu lugar, também seria versado em matar e teria, inclusive, já sido preso por homicídio. Dayse Larissa Souza de Melo teve a vida ceifada aos 14, no caminho da escola, fardada e com os livros a tiracolo. E tempo houve no qual as moças debutavam aos 15 anos com bailes formais e direito à valsa, vestido de noite e sessão de fotos ? era o momento de apresentação à sociedade da moça que se despedia da meninice. Aquela garota nem se despediu da adolescência, foi despedida da vida sem apelação, sem direito a optar por um novo caminho. E o que as autoridades farão? Talvez entendam que, com o crime apurado, a missão esteja cumprida. Dirão, talvez, que este é ?um problema de responsabilidade do governo federal? ou sandices do tipo. E nenhuma medida prática, nem mesmo teórica, a nível local, é sequer anunciada para estancar essa matança fomentada pela desenvoltura e impunidade dos traficantes.

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