Opinião
A EDUCA��O ATRAV�S DOS TEMPOS
Nos últimos duzentos anos, a educação sofreu mudanças marcantes. Com a evolução da indústria, dos costumes, dos conceitos, em todo o mundo. No tempo de meus pais, as mulheres já estudavam, se formavam em professoras, em Artes, em Música, especialmente piano. Mas a maioria se dedicava exclusivamente ao lar. Os colégios tratavam os alunos com rigidez e quando cometiam alguma infração a palmatória ? instrumento de madeira de forma redonda e achatada, munida de um cabo reto que servia para o professor segurar ? entrava em ação e o coitado levava com ela uns ?bolos? na mão como castigo. Tinham a total aprovação dos pais, que também as usavam em casa para corrigir alguma travessura mais ousada dos filhos. Mas, como diz o ditado: pancada de amor não dói! E as crianças assim castigadas choravam um pouco, mas aprendiam e geralmente não repetiam a indisciplina. Havia respeito aos mais velhos e aos mais importantes socialmente, entre todas as hierarquias. Nos noventa anos em que tenho vivido, muita coisa mudou. Os genitores, embora carinhosos, não relaxavam com a disciplina. Nos colégios, também, embora a palmatória tenha sido abolida, o mau procedimento era punido com a suspensão e a expulsão da escola, se fossem muito graves. Não havia educandários mistos: os estudantes eram separados pelos sexos. Em casa, a disciplina tinha que ser observada em relação a todos os atos. Crianças travessas e adversas aos estudos sofriam. Mas havia tanto amor nos pais que esses castigos eram entendidos e esquecidos ao passar do tempo. Eu fui muito inquieta e odiava estudar certas matérias, mas quando me tornei adulta bendisse os castigos que levei para me tornar o que sou. E repeti, embora com mais brandura, as corrigendas que meus pais me aplicaram, nos meus filhos, fazendo deles pessoas de bem. Hoje, alguns pais permitem grande liberdade aos descendentes, sem prepará-los para a vida e o que se vê é o desrespeito, de alguns, aos professores e à sociedade. Adolescentes matando e roubando, às vezes cheios de drogas. Nos países mais adiantados, onde a Justiça é mais eficaz, os menores de dezoito anos que cometem crimes não ficam impunes como no Brasil. Existem reformatórios bem organizados e rígidos, onde cumprem o tempo determinado pela lei, mas onde estudam, aprendem algum ofício, são orientados pelos caminhos que os levarão a se tornarem verdadeiros cidadãos.