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FUTEBOL E POL�TICA

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Em jantar com jornalistas, a presidente Dilma Rousseff falou acerca da Copa de 1970, quando o Brasil sagrou-se tricampeão mundial de futebol, conquistando definitivamente a taça Jules Rimet. Mesmo presa, e sendo torturada, Dilma disse que torceu, sim, pela seleção brasileira (mesmo que isso significasse ganhos para a ditadura militar e seu ditador de plantão, o general Emílio Garrastazu Médici), mas que, desde então, não consegue mais ouvir ?noventa milhões em ação...? (música de Miguel Gustavo que embalou a Copa na época). Para ela, é uma lembrança dolorosa. É curioso que, 44 anos depois, a subversiva (era assim que a ditadura chamava quem a ela se opunha) de então comande o país que sedia a Copa de 2014. É curioso perceber que há pessoas afirmando que a presidente quer apenas usufruir dos ganhos políticos caso o Brasil seja mais uma vez o vencedor. É interessante notar como a história dá voltas e como as situações se invertem, porém há um ponto crucial nisso tudo: vivemos hoje numa democracia e temos um governante eleito pelo voto popular e não imposto pelas armas. Em 1970, a vontade dela (e de muitos) não foi respeitada; em 2014, ela respeita a vontade de todos, garantindo o direito de livre manifestação, inclusive passeatas, sem vandalismo. Política e futebol estão intrinsecamente ligados. Após o fracasso de 1966, Brasil precisava disputar as eliminatórias, garantir uma vaga e voltar ao topo ganhando a Copa (mais ou menos como hoje). Aymoré Moreira, Vicente Feola, Osvaldo Brandão e nosso Zagallo ocuparam o cargo de treinador sem definirem uma base para a seleção. A imprensa criticava. João Havelange, presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), resolveu apostar num jornalista e escolheu João Saldanha, cronista esportivo carioca, com atuação destacada no rádio. Saldanha disse que só ia convocar feras, daí, as ?feras do Saldanha?. Jogando contra Colômbia, Paraguai e Venezuela, o Brasil conseguiu seis vitórias, 23 gols marcados e apenas dois sofridos. Só que, a poucos meses da estreia no mundial, João Saldanha foi substituído. Motivo? Era comunista, de carteirinha, como se dizia, e não queria convocar Dario (o Dadá), como era o desejo de Médici. Zagallo voltou, trocou o 4-2-4 de João pelo 4-3-3 e acabou campeão do mundo. Isso foi o que rolou nos bastidores, porque em campo, o que o mundo viu foi um time maravilhoso, inigualável, cheio de estrelas como Pelé, Tostão, Rivelino, Gerson e Jairzinho. É importante frisar que todos, sem exceção, jogavam no Brasil.

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