Opinião
BRASIL FUTEBOL CLUBE
?Um jogo de futebol em uma Copa do Mundo é o fato social total. Expresso na metonímia de que 11 pessoas são o Brasil? ? diz o prof. Edson Gastaldo, da Universidade Rural do Rio de Janeiro. Sob o título A Pátria de Chuteiras, a revista da PUC-Minas traz longo e profundo estudo sobre o fenômeno cultural que representa o futebol para a nossa pátria, começando pelo subtítulo ?Presente no cotidiano do país, o futebol permeia a cultura e celebra a nacionalidade brasileira?. No ano de 1895, Charles Miller (1874-1953) reuniu uns amigos para disputarem uma partida de ?foot-ball?, e lhes explicava as regras do novo esporte para a primeira partida no Brasil, que até então só conhecia o críquete ? foi o que informou o Miller, em declaração à revista O Cruzeiro de 1952. Por muito tempo ainda, as Ciências Sociais viam o futebol de modo desconfiado. Julgavam-no como o ópio do povo, que servia apenas para ludibriar as classes trabalhadoras e afastá-las das discussões políticas de seus interesses. Foi a partir do Estado Novo, com o presidente Getúlio Vargas, que o futebol começou a se popularizar. A Copa da França, em 1938, com a participação de Leônidas, o ?diamante negro? e a transmissão radiofônica, empolgou todo o País. A obtenção do 2º lugar, vencido pela Itália na partida final, trouxe enorme popularização para o futebol. A criançada ? eu estava nela ? completava os álbuns de figurinhas. Comentaristas e cronistas, como os irmãos Mário Filho e Nelson Rodrigues, João Saldanha e Armando Nogueira usavam linguagem coloquial, mais próxima do torcedor. Poucos sabem que o nome oficial do Maracanã é Estádio Jornalista Mário Filho. O governo militar aproveitou da conquista do tricampeonato mundial no México, em 1970, com as campanhas ufanistas do slogan ?Ninguém segura este Brasil? e o hino da ?Copa Noventa milhões em ação ? Pra frente Brasil do meu coração?. Também a campanha Diretas Já!, colocou nos palanques o craque Sócrates. Para o arcebispo Anuar Battisti, da pastoral do turismo da CNBB, ?um evento como esta Copa pode ser muito favorável para o nosso país. Que os turistas do esporte possam ser também turistas de outras maneiras, tão agradáveis como o futebol?. O que me impressiona é que, se o Brasil não conquistar o primeiro lugar, que obteve já cinco vezes, para muitos será uma desgraça nacional, quase como se uma bomba atômica tivesse caído aqui. Mas ? pergunto eu, antipaticamente ? as outras seleções não têm também, como a nossa, o direito de conquistar a Copa do Mundo?