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Opinião

GLOBALIZA��O E FUTEBOL

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No último amistoso à Copa Mundial de futebol da seleção norte-americana em Boston, chamou a atenção dos jornalistas um slogan em inglês no estádio traduzido ao espanhol e português. Dizia: ?Uma nação. Uma equipe?. Significa para os Estados Unidos, num evento transmitido para mais de um bilhão de pessoas, mesmo que eles não sejam uma referência internacional do futebol, a reafirmação do sentimento de coesão nacional. Um conceito que devia servir a todos os povos tanto quanto a nossa hospitalidade, que deve ser aplicada sem exceções durante o evento. Quanto aos EUA, o slogan é útil aos desígnios do seu constitucional ?destino manifesto proclamado por Deus? em comandar a humanidade através da sua cultura, civilização, geopolítica. O Brasil, ao sediar a Copa Mundial de futebol, sofre duplo ataque, seja porque é um país vocacionado à prática do futebol, fator integrante da nossa cultura, pentacampeão mundial, seja porque é uma das nações emergentes integrantes dos Brics, a 7ª economia global. Para o Mercado, a geopolítica anglo-americana, o mote é utilizado para querer transformar a Copa Mundial de futebol numa reedição social do furacão Katrina, o Brasil em terra arrasada, nem que para isso tenha que ?morrer também o mar?, como dizia García Lorca. Exacerbando nossas vicissitudes, fabricando através da grande mídia tempestades de surtos coletivos com o objetivo de anular nossas virtudes de povo criativo, realizador, o nosso sentimento de autoestima, a capacidade de fazer algo relevante à confraternização entre as nações do mundo. Quando bombardeiam a Copa do Mundo, o que desejam mesmo é sufocar o espírito em comum do povo brasileiro. E de um Estado soberano. Contando, para isso, com a falácia difundida pelo Mercado, aceita por alguns setores contemplados com a ?sociologia do desgosto com o Brasil?, de uma falsa cidadania global, de um cosmopolitismo artificial, porque não é real, num fictício mundo sem fronteiras. Quando, na realidade, vários povos já dizem um contundente não à hegemonia unipolar da Nova Ordem mundial. Porque o que está em curso, em várias partes do planeta, é a luta intensa pela ressoberanização dos países, em defesa de outra ordem global multipolar que assegure a autodeterminação das nações, a democracia, a paz e o progresso social da humanidade.

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