loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Uma pol�mica digna de n�o ser esquecida

Ouvir
Compartilhar

No calor das paixões exacerbadas pela introdução do Programa Mais Médicos, uma questão fundamental foi tocada en passant, e, simultaneamente, bombardeada por incontáveis opositores bem situados socialmente. Acossado, o tema desapareceu da pauta. A temática versava sobre algum tipo de retorno social a ser dado pelo recém-formado pelo sistema público de educação superior. O exemplo atiçado era direcionado para os formandos em Medicina, os quais, segundo a ideia levantada então, deveriam ser contratados, por dois anos (ou outro espaço de tempo) para serviços no sistema público de saúde brasileiro. A proposta causou furor e choveram acusações de autoritarismo contra o governo federal, apontado como interessado em ?sugar? dois anos (ou outro espaço de tempo) da vida profissional dos jovens médicos. Acuado, o governo recuou do debate. Uma tolice. Essa polêmica é do maior interesse da sociedade, fundamental para uma melhor qualidade de vida e de saúde da maioria do povo brasileiro. Quanto a Nação investe na formação de um profissional de nível superior através das universidades públicas? O que esse profissional, uma vez graduado, pode retribuir à sociedade que lhe custeou os estudos? Estas são perguntas válidas para todos os cursos, todas as universidades e centros de formação técnica e superior brasileiros. No caso do curso de Medicina uma ideia dessa contabilidade nos é facilmente esclarecida pelo valor cobrado como mensalidade nas faculdades particulares. Agora, graças a autorização para funcionamento do primeiro estabelecimento privado deste tipo, já podemos ter uma ideia do custo dessa formação: R$ 5,5 mil por mês por aluno! Com desconto de 15% pela antecipação do pagamento da mensalidade, essa pode cair para algo como R$ 4.675,00 mensais. Ressalte-se que esses valores guardam coerência com as demais faculdades privadas de Medicina no Nordeste. Em se considerando a duração média de seis anos, ou 72 meses, temos, numa aritmética simples, o valor total de R$ 396 mil, ou, com desconto, R$ 336 mil. Um pouco mais, um pouco menos, é o quanto o povo gasta para formar um médico numa universidade pública. Não seria justo que, pelo menos ao longo de dois rápidos anos, em termos de trabalho remunerado, um pouco desse dispêndio retornasse como serviços prestados para a rede pública de saúde?

Relacionadas