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Li��es advindas de um momento vergonhoso

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Um dos momentos mais vergonhosos protagonizados por brasileiros, visto e ouvido pelos quatro cantos do globo, via internet, foi o coro pornográfico entoado, a plenos pulmões, pela elite paulistana contra a presidenta Dilma. ?Ei, Dilma: vai tomar no c...!?, puxado a partir da área VIP do Itaquerão, foi entusiasticamente berrado por parte do público, por mais de uma vez, durante o jogo de abertura. Pessoas de todas as idades, elegantes e bem trajadas de camisas oficiais da Copa, esgoelavam-se no palavrão repetidas vezes, em êxtase, acompanhados por perplexos filhos, sobrinhos, quiçá netos ? crianças menores de idade ? que de seus chiques pais, tios e/ou avós recebiam tão medonha lição de cidadania e de elegância pública. Cada uma daquelas pessoas ocupava um lugar proibitivo aos menos favorecidos socialmente, pois cada cadeira (comum, e não na área VIP) ficou na casa do R$ 1 mil. Muitos dos presentes foram convidados por empresas de caixa alto, como bancos, financeiras, holdings várias, por serem clientes preferenciais. Ou seja, o grosso dos presentes à Arena Itaquera eram seres privilegiados social e economicamente. E estavam particularmente revoltados com o incontornável fato de que tudo estava indo muito bem na abertura da Copa do Mundo do Brasil. O ódio direcionado à Dilma estava potencializado, multiplicado pela frustração do sonho de que o torneio se transformasse num pesadelo. E insultaram. Comprovou-se também a motivação eleitoreira do partido dos ricos e privilegiados que, dias antes, solicitara do Supremo Tribunal Federal o desrespeito ao compromisso internacional assumido junto à Fifa, propondo a liberação de ?manifestações político-ideológicas? nas arquibancadas durante os jogos da Copa. Era uma ação articulada, pois seus adeptos já se encontravam municiados, financiados, a mancheias, de ingressos para os jogos, perfilando-se como uma torcida do mal. Essa torcida organizada, animada, foi aquela que se expôs no coral político-sexual-ideológico contra Dilma Rousseff. Vociferaram os ricos e privilegiados na Arena Itaquera, expondo o que vai no mais profundo de suas almas. Uma pena... ou talvez não, pois com tamanha virulência arreganharam seus preconceitos, sua intolerância, sua visão de democracia e ? por que não dizer ? suas próprias sexualidades. Uma lição para o País, numa bizarra aula aberta sobre o pensamento das chamadas elites tupiniquins.

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