Opinião
A VIDA N�O � O QUE A GENTE VIVE, MAS O QUE SONHA
Carlos Alberto nasceu em uma cidade pequena do interior, na maternidade da Santa Casa, onde seu pai trabalhava como faxineiro. Vindo de uma família muito pobre, pai faxineiro e mãe que lavava e passava roupa para fora, os poucos dinheiros que ganhavam mal davam para se alimentarem e se vestirem. Filho caçula de uma família de seis irmãos, passou sua infância dentro do hospital onde nasceu e local em que seu pai trabalhava como faxineiro. Carlos tinha um sonho: queria ser médico. A medida que foi crescendo, sua vontade de ser médico foi aumentando e muitas vezes ele foi colocado para fora do hospital por curiosidade em aprender, mas também por atrapalhar o andamento do trabalho no hospital, pois percorria todos os setores. Ao completar 12 anos, Carlos começou a trabalhar na farmácia de seu tio Vicente, antigo farmacêutico da cidade, que, devido à pobreza e à falta de recursos da maioria da população, fazia do senhor Vicente o médico da família. Depois de dois anos de muito trabalho e dedicação, Carlos tornou-se um verdadeiro farmacêutico de interior. Mas seu sonho ainda não havia sido realizado. Seu tio Vicente, que acabara de perder o único filho, vendo a dedicação do sobrinho, passa a tratá-lo como filho e decide bancar seus estudos: conversou com os pais de Carlos e com ele foi para a capital, onde lá pagou todas as despesas até vê-lo formado em medicina. Não teve a felicidade de vê-lo formado, pois faleceu um mês antes da formatura. Carlos foi um dos melhores alunos da turma e da faculdade, onde anos depois também lecionou, tornando-se famoso entre seus amigos, alunos e sociedade. Anos depois, decidiu voltar à sua cidade natal, onde dedicaria a sua vida a cuidar dos menos favorecidos, com muita dedicação e carinho, no mesmo hospital onde nascera. Acabou se tornando prefeito da cidade por sua grande contribuição à cidade, onde também foi considerado um dos melhores prefeitos do País. Alguns anos depois, a Associação Nacional de Medicina chamou-o para lhe prestar uma homenagem. Ao fim do discurso, o orador o pergunta: ? Como é que um menino pobre, nascido numa cidade pequena, conseguiu tornar-se um médico famoso como o senhor? Carlos apenas disse: ? A vida não é apenas a que a gente vive, mas também a que a gente sonha. Eu era pobre, mas vivi um sonho. Valeu a pena...