Opinião
Deseducando
Embora o ensino público fundamental e médio em Alagoas tenha tido um aumento considerável na oferta de vagas no período compreendido entre 1997 até 2003, não teve ? em contrapartida ? um aumento da qualidade na mesma proporção. Para confirmar isso, basta observar (por exemplo) os resultados dos últimos vestibulares da Ufal. Não sem razão, os pais continuam fazendo um esforço para manter seus filhos em escolas particulares para que eles possam concorrer no vestibular em condições pretendidas mais adequadas. No entanto, a crise econômica tem provocado inadimplência generalizada. O Sindicato das Escolas Particulares do Estado anunciou que o índice de inadimplência em Alagoas é de 40%. Denunciou, ainda, a existência de ?alunos táxi? (mudam de escolas a cada três meses para não pagar nenhuma), inclusive de outros estados. Exageros à parte (pois sairia mais caro mantê-los longe de casa com as inevitáveis contas de hospedagem e alimentação, pelo menos), a situação está perto do limite. Na verdade, esse quadro caracteriza uma contradição óbvia, opondo de um lado a necessidade do investidor no ensino público não ser jogado no fosso das falências e de outro a ginástica impossível da maioria das famílias brasileiras dispor de orçamento para bancar os filhos na escola privada. Para assegurar a vitalidade desse conflito, o sistema público de educação segue incapaz de responder às necessidades em termos de vagas e qualidade para a maioria da população que dele necessita. Uma solução que contemple interesses tão distintos não será fácil de ser conseguida. A crise econômica atingiu em cheio a classe média e não se descortina no horizonte para ela, uma saída a curto prazo. Por sua vez, com o aumento da oferta de vagas nas escolas públicas, muitos pais, mesmo à contragosto, transferiram seus filhos para estas. Em decorrência, dezenas de escolas particulares tiveram queda no número de alunos matriculados, sem conseguir reduzir, na mesma proporção, seus custos. É uma crise que deve provocar grandes mudanças com a diminuição no número de escolas (o que já está ocorrendo) e na redução no número de turmas (também já ocorre). Na ponta do giz, essa conta só acaba em prejuízo para todos, aumentando o desemprego e ampliando as deficiências na educação.