Opinião
DIDA E SALDANHA, HUMILHADOS E OFENDIDOS?
Ídolo da maior torcida do País, nunca ficou muito clara a substituição do alagoano Dida, depois do primeiro jogo do Brasil, na Copa de 1958. Afinal, o Brasil derrotara a Áustria por 3 x 0. À sorrelfa, dizia-se que sua amizade com o armador Rubens (reserva de Didi), ambos do Flamengo, teria exacerbado a intolerância nos dirigentes da antiga CBD... João Saldanha jactava-se difundir o porquê dos times de futebol serem compostos por onze jogadores. Esporte bretão, a prática teria se desenvolvido nos colégios ingleses. As turmas de garotos/adolescentes eram compostas por dez alunos. Havia um bedel para cada turma que ficava no frio assistindo ao cotejo. Como ninguém queria ficar no gol, a ?escalação? dos bedéis como décimo primeiro jogador seria um pulo. Jornalista, botafoguense roxo, ?comunista light?, adorava discutir as crises cíclicas do capitalismo, regado a um bom escocês. Bom papo, era um técnico de pouca experiência quando, em 1969, aceitou comandar a seleção brasileira. O escrete amargara uma participação bisonha na Copa de 1966, em Londres, de modo que o exótico terminou sendo bem aceito... Indubitavelmente, Saldanha injetaria novo moral ao selecionado. Depois de arrasar nas eliminatórias, as ?feras? de Saldanha já não conseguiam repetir o sucesso. De fracasso em fracasso, com Pelé no banco dos reservas, em jogo treino, às vésperas da Copa de 1970, as feras empatariam com o Bangu. A lua de mel com a torcida e a imprensa havia terminado. Como sói acontecer nessas horas, os milhões de ?técnicos? espalhados pelo Brasil ofereceram sugestões. Um desses ?técnicos? seria ninguém menos que o general Médici, o ?ditador de plantão?. O comentarista mordaz, quando empunhava uma caneta ou um microfone, revelar-se-ia extremamente agressivo ao ser alvo das críticas pelos maus resultados. Em patética e grotesca cena, seria fotografado, de arma em punho, ?caçando? um desafeto. Consta que o general Médici, diante de resposta atravessada de Saldanha, teria envidado esforços para derrubá-lo do cargo. Ainda sob o impacto da demissão, JS justificaria ter barrado o Pelé, sob a alegação de que o ?Rei? tinha sérios problemas visuais. Hoje, tenho dificuldade em aceitar que João Saldanha tenha sido demitido pelo fato de ser comunista. Se as convicções políticas fossem, de fato, relevantes, ele sequer teria sido chamado para ser técnico.