Opinião
O TEMPO? O VENTO LEVOU...
Outro dia me casei. É verdade! Não dá para pensar que já se passaram cinquenta anos daquele 1º de maio de 1964. É certo que algumas mudanças se operaram no meu rosto e resto do corpo, mas ainda me reconhecem por aí, felizmente! Não como aquela Zaida dos dezoito anos, pele branquinha, lisa e sem rugas. Cabeça cheia de sonhos e projetos, alguns dos quais desmanchados pelas conveniências. Esse tempo passou tão ligeiro que se esqueceu de envelhecer minhas ideias e algumas convicções. Nesse meio tempo, aproveitei, na medida do possível, minha juventude, com tudo o que se poderia fazer, na época, morando no interior. Meus filhos são maceioenses, mas residi 45 anos, em Palmeira, desde o casamento. Posso dizer, sem constrangimento que soube educar a todos com certo rigor, mas muito carinho e atenção. O vento quando sopra e faz barulho me lembra os assobios nas telhas vãs da minha casa, no inverno. Palmeira também mudou muito, inclusive o clima. As serras que cercam e carregam em seus lombos uma favela hoje, dispunham de poucas moradias e eram cobertas pela mata onde viviam, outrora, os índios. O frio se anunciava desde abril. Frio úmido, pijamas de flanela para os meninos, e xixi na cama. Cuscuz fumegando na mesa e algazarra que não volta mais. Boas notas no colégio, foram passando de ano sem maiores preocupações. Estão formados, casados e pais! Eu, avó abestalhada, principalmente quando são pequenos. E, agora, gente, o que é que eu faço? Para começar, não quis celebrar as Bodas de Ouro aqui. Fui para o Rio de Janeiro, projetando fazer a festa na Estudantina, que me faz sonhar, na TV. Meus filhos me engabelaram até o último instante. Pararam os carros, lotados pelos filhos e netos, na frente do Copacabana Palace onde se deu, verdadeiramente, o jantar festivo. Não posso dizer que a iniciativa deles não foi a melhor... É que eu sonhava, e ainda sonho, em dançar naquela gafieira. Mas após 50 anos de casada, os filhos fingem que não, mas mandam direitinho na gente...