Opinião
EDUCA��O COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO
Tratar dos problemas sociais e econômicos de Alagoas, considerando as possibilidades de atuação do Estado, é um exercício de extrema vultuosidade, a julgar pelo nível de complexidade que áreas como saúde, segurança, emprego/renda e educação, foram adquirindo ao longo dos anos. Tem-se a impressão de tratar-se de áreas isoladas entre si, resultando na aplicação de políticas públicas individualizadas, muitas vezes desconexas de uma meta maior. A escolha desta meta passa a depender, particularmente, da forma de enxergar a sociedade, aludindo aos diversos matizes teóricos. Ao nosso ver, a indicação da maneira pela qual os problemas socioeconômicos alagoanos foram ?encaixados? resulta da forma com que sua estrutura social foi sendo montada para produzir riquezas. Nesse sentido, a eleição de metas que tenham o poder de alterar a capacidade de geração de riqueza da população alagoana, representa a orientação fundamental para a sequência de políticas públicas que deve ser sustentada pelo Estado. Tradicionalmente agrário, Alagoas foi constituído pela produção de culturas de extensão, onde o nível de qualificação de mão de obra teve pouca significância. Com a prevalência de um mesmo modelo econômico por muitos anos, o crescimento da população do estado foi sendo caracterizado por baixos níveis de escolarização e produtividade. Diante de uma demografia concentrada, a influência social das áreas rurais sobre centros como Maceió e Arapiraca foi decisiva na formação da renda da população. Como resultante dessa estruturação, tem-se um quadro populacional de baixa capacidade de geração de riquezas ? com baixa escolarização ? e uma renda altamente concentrada, resultando em índices alarmantes de iniquidade social. Como elevar as condições de vida de uma população, de forma perene, cujo analfabetismo alcança quase 1,3 milhão de pessoas (do total de 3,1 milhões)? Como aumentar a renda de famílias cujo estado possui o pior Ideb do País? Como atrair investimentos que possam alterar a matriz produtiva do estado diante de um sistema educacional que reduz o número de jovens matriculados a cada ano? Em resposta a todas estas questões e, mais ainda, para a determinação de uma meta de desenvolvimento, sugerimos em uma palavra: educação, através de uma verdadeira cruzada cívica.