Opinião
A POL�CIA MILITAR NA UFAL
O crescimento do número de roubos com uso de arma de fogo, bem como de furtos de equipamentos e materiais de pesquisa no Campus A.C. Simões, em Maceió, levou a gestão central da Universidade Federal de Alagoas a solicitar a presença da Polícia Militar naquele espaço, até então inexistente. Como era de se esperar, a medida ? necessária, a meu ver ? suscitou uma série de debates na comunidade acadêmica. É claro que a atuação de policiais militares nas dependências da Ufal não pode ser pensada como a solução para os problemas da criminalidade no campus. Outras medidas ? melhorias na iluminação, poda de árvores, reforço no circuito interno de câmeras ? também compõem o rol de ações que podem reduzir sensivelmente o número de ocorrências, proporcionando uma maior sensação de segurança entre estudantes, docentes e técnicos. Porém, no contexto geral de ações preventivas, o policiamento ostensivo é, sim, uma medida necessária neste momento, sobretudo porque o corpo de vigilantes da universidade ? oriundos de contrato com empresa privada ? é responsável, apenas, pela guarda patrimonial. Os argumentos contra a presença da PM no campus tendem a resgatar o histórico da formação militar, marcada pela influência direta do Exército, sobretudo no contexto da ditadura militar, período que maculou gravemente a história recente do Brasil. Além disso, partem do pressuposto de que os policiais são inimigos em potencial, seres não pensantes, máquinas de matar. Essa percepção, estigmatizante e preconceituosa, coloca na vala comum toda uma categoria, ignorando o grande número de profissionais de segurança pública que se dedica com seriedade e respeito à sociedade, apesar das dificuldades cotidianas, da vulnerabilidade e da não valorização profissional. É certo que não podemos fechar os olhos para os episódios lamentáveis de violência policial ocorridos em todo o Brasil, inclusive em Alagoas. No entanto, é necessário reconhecer, também, a crescente construção da concepção de uma polícia cidadã ? a exemplo da polícia comunitária e do gerenciamento de crises ?, que dialoga com as comunidades, a partir de uma relação mútua de confiança. Essa pode ser a tônica da atuação policial militar na Ufal, desde que a resistência seja vencida e o diálogo com esses profissionais da segurança pública seja aberto, de modo que, ao invés de inimigos, eles venham a ser reconhecidos como parceiros na construção da paz.