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Opinião

Debate instigante

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A regulamentação do uso medicinal e recreativo da maconha no Uruguai e nos estados americanos do Colorado e Washington e os debates sobre legalização do consumo no México, Argentina, Peru, Colômbia, Equador e Guatemala reacenderam a discussão sobre a política de drogas adotada no mundo. Os defensores da regulamentação argumentam que é a única maneira de combater a escalada do uso e a violência gerada em todo delas. Para eles, a guerra contra as drogas tem resultado pior que o uso. O número de pessoas que morrem por causa dessa guerra seria infinitamente maior do que pelo consumo das próprias drogas. Nem todos, entretanto, estão de acordo. O papa Francisco, por exemplo, afirmou há poucos dias ser contra a legalização de qualquer tipo de droga. Em sua opinião, a droga é um mal, e com o mal não pode haver relaxamento ou compromissos. O pontífice afirma que pensar em poder reduzir o dano permitindo o uso de psicofármacos àquelas pessoas que continuam a usar droga não resolve, de fato, o problema. Francisco afirma que a legalização das chamadas drogas leves, mesmo de modo parcial, além de ser, pelo menos, questionável em termos de legislação, não produz os efeitos que foram prefixados. Ele lembra que o flagelo das drogas continua a fazer estragos em formas e dimensões impressionantes, alimentado por um mercado vergonhoso que atravessa as fronteiras nacionais e continentais. No Brasil, a maioria dos projetos em tramitação pretende tornar mais rigorosa a legislação atual e até mesmo criminalizar e internar compulsoriamente o usuário. A exceção é a proposta do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que regula a produção e comercialização da maconha e seus derivados, tornando a Cannabis uma droga lícita com uma regulação e restrições semelhantes às do álcool e do tabaco; além de descriminalizar a posse de qualquer tipo de drogas, inclusive as ilícitas, para consumo pessoal, assim como autocultivo. O tema, sem dúvida, é complexo e há argumentos razoáveis dos dois lados. Por isso, precisa ser muito bem discutido. Pode-se afirmar, contudo, que a liberação pura e simples não é o caminho. Também é certo defender medidas mais efetivas de prevenção, direcionadas, principalmente, à juventude e acompanhadas de ações concretas para afastar crianças e adolescentes do caminho das drogas.

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