Opinião
Reconquistando a alegria de torcer
Enfim, a seleção brasileira pulou a primeira barreira e se classificou para a próxima fase da Copa. Para quem torcia contra, é um duro golpe. Golpe mais sentido, entretanto, é a redução da ?torcida do contra?. Não só nas ruas e nas praças, a empolgação verde-amarela voltou a correr de roldão, mas a enxurrada de alegria começou também a varrer o pessimismo e o derrotismo até então imperantes nas redes sociais. E essa mudança de humor não está ligada, mecanicamente, à classificação conquistada ontem. Logo depois do frustrante empate com o México, os brasileiros já levantavam a cabeça na internet e as ferramentas de avaliação passaram a indicar a virada. Segundo os dados disponibilizados pela ferramenta Apita Brasil, no espaço de tempo compreendido entre os dias 2 e 12 de junho (abertura da Copa), o número de descontentes digitais passou de 86% dos aficionados nas redes sociais para 35%, enquanto os que apoiavam e/ou viam como positivo o torneio da Fifa no Brasil, pulavam de 14% para 65%. Logo depois do sofrido empate, o percentual de apoio já se apresentava como 72% (Facebook, Twitter, Instagram...) e as identificações como #euapoioacopa ou #vaitercopasim multiplicavam seus seguidores a olhos vistos. Situar a continuidade dessa tendência depois da partida considerada mais decepcionante é algo particularmente importante, pois comprova o renascimento do espírito de brasilidade, de esperança e apoio à seleção brasileira e não apenas a comemoração de um momento favorável. Não se trata de ?onda?, muito menos de oportunismo. Estamos diante da reconstrução do sentimento positivo, proativo, da torcida em prol do Brasil. Isto é o mais importante. Torcer para o País é algo maior que a comemoração de uma vitória. Festejar um ganho é algo óbvio e, felizmente, estamos vendo algo além disso. Testemunhamos a revitalização da vontade de ajudar o Brasil a vencer. Simples assim. E essencial assim. Podemos não ganhar a Copa do Mundo, e daí? Já perdemos mais de uma no jogo final, já nos desclassificamos na primeira etapa, mas os revezes nunca abateram o espírito de brasilidade. Isto é o mais importante, isto é o que está a ser reconstruído, vencendo a maior campanha derrotista já levada adiante por uma minoria ridícula de brasileiros que se consideram ?a elite?, quando não passam de tristes frustrados.