Opinião
Computador Adora Crian�a
Computador parece adorar as crianças. Transformar essa ferramenta natural em meio para estimular a capacidade de inovação é talvez o desafio educacional mais importante dos nossos tempos. MattewLipman costumava afirmar: ?há algo em comum entre as crianças e os filósofos:a capacidade de se maravilhar com o mundo?. Professor Lipman, falecido em 2010, foi um pioneiro em novas abordagens de educação para crianças. Em 1972, deixou a Universidade de Columbia para desenvolver suas ideias, tornando-se um líder mundial no ensino de filosofia para crianças. Uma questão contemporânea similar diz respeito a como incluir o tema atual ?inovação? como parte integrante do ensino fundamental e acerca da pertinência e possibilidade de explorar neste nível uma metodologia compatível conhecida como ?aprendizagem independente?. Isso decorre da nova exigência educacional quanto à preparação de futuros profissionais e cidadãos em geral para um mundo no qual a inovação é central. Para tanto, é crucial o papel que as novas tecnologias, em especial as tecnologias digitais incluindo a internet, podem desempenhar sobre as experiências educacionais de alunos e professores ao longo de suas vivências escolares. Os adultos, muitas vezes, olham para o computador como um instrumento exógeno a ser eventualmente utilizado. Crianças mal percebem o meio e, se algo as maravilha, é o que elas produzem a partir dele, sem gastar um só segundo pensando na ferramenta, a qual lhe é natural, espontânea e intrínseca. Isso faz uma diferença enorme, dado que pulamos etapas e vamos direto ao jogo, à aprendizagem em si. A principal característica da abordagem de aprendizagem independente é explorar a autonomia do educando, sendo elemento chave adotar como centro do processo de aprendizagem o aluno, tendo como referência principal o estímulo a aprender a aprender. Embora, a definição geral inclua a autoaprendizagem stricto sensu, de fato, na maioria dos casos, na escola regular, a integração com o currículo e o professor são os protagonistas nesta metodologia. Da mesma forma, ainda que em geral se associe o potencial uso desta abordagem com adultos, certamente é quando bem jovem que o hábito do aprender a aprender melhor se desenvolve, com mais naturalidade e pertinência. Olhar com olhos de gosto pelos desafios, e não de acomodação, pode fazer com que a nova geração vislumbre novos problemas e soluções inovadoras, criando e inventando caminhos inéditos. Assim seja.