Opinião
Um pa�s cada vez mais conectado
Segundo dados do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, o número de usuários da internet passou de metade da população brasileira pela primeira vez. Em 2013, os internautas somaram exatamente 51% dos cidadãos com mais de 10 anos de idade, ou 85,9 milhões de pessoas. Entre os principais fatores que contribuíram para o marco inédito estão o aumento exponencial no uso de celulares para conexão com a rede e a multiplicação de equipamentos portáteis, como notebooks e tablets. Algumas disparidades sociais e regionais, entretanto, permanecem como obstáculos a uma inclusão digital mais profunda. Apesar desse avanço, a distância entre o acesso em determinadas classes sociais e regiões ainda é muito grande. E ela vem se mantendo, não diminuindo. Segundo a pesquisa, enquanto nas classes A e B, a proporção de casas com acesso à internet é de 98% e 80%, respectivamente, na classe C é de apenas 39%. Já nas classes D e E, a penetração da rede é de só 8%. A desigualdade também é espacial: nas áreas urbanas, a proporção de lares conectados é de 48%, enquanto que nas rurais chega apenas a 15%. Ou seja, se, nas cidades, a internet alcança 25,9 milhões de lares, no campo o número de residências conectadas não passa de 1,3 milhão. As regiões Norte e Nordeste também permanecem como as menos conectadas, com uma proporção respectiva de 26% e 30% de lares com acesso à rede. Na região Sudeste, a de maior penetração, a internet alcança 51% das residências. Para os especialistas, é preciso que esses indicadores chamem a atenção das empresas de tecnologia. Existe um amplo mercado ainda não contemplado por elas. E o governo tem de desenvolver políticas públicas efetivas para a diminuição dessas diferenças. O fato de os celulares estarem ampliando a inclusão digital brasileira é positivo. No entanto, melhor seria se ela se desse pelo acesso a computadores e à internet nos lares e espaços como escolas, pois isso possibilitaria um desenvolvimento melhor de habilidades mais complexas em relação ao uso de tecnologia do que as propiciadas por smartphones. As políticas públicas devem estar atentadas, pois o acesso tradicional tem influência direta no desenvolvimento econômico e social, influindo até no melhoramento da mão de obra nacional.