Opinião
A dif�cil engenharia de construir coliga��es
Encerrou-se ontem o prazo para a realização das convenções partidárias, em todo o Brasil, com vistas às eleições deste ano. Este processo vivido em 2014 é um dos mais disputados nos últimos pleitos e, apesar do apito final trilado no dia 30 de junho, os dias seguintes, até a entrega das atas nos tribunais eleitorais respectivos, reservam surpresas da derradeira hora. A partir de hoje, dia seguinte às convenções, começam as checagens do decidido por cada partido, sendo previsível desencontros causados por alterações feitas durante as decisões finais tomadas ontem. Sempre há uma sigla que, no último momento, decidiu mudar de coligação, ou que resolveu cambiar candidatos ou mesmo trocar de forma em suas coligações proporcionais. Ainda existe jogo depois do fim do segundo tempo ? e não é exatamente uma prorrogação, nem mesmo se assemelha a uma bateria de pênaltis. É algo que apenas a arte da política consegue explicar teoricamente, embora seja de fácil demonstração prática. No encerramento do dia de ontem, apesar de todos anunciarem-se como prontos e acabados em seus teares, as urdiduras ainda quedam-se à espera das costuras finais. E, às vezes, pequenos detalhes fazem a diferença ? principalmente, no quesito referente aos interesses proporcionais. As arrumações das chapas proporcionais, seja para a Câmara dos Deputados, seja para a Assembleia Legislativa, ainda preservam pontos de interrogação. E de crescente tensão, até porque o fantasma da redução do número de cadeiras disponíveis teima em assombrar a quem quer que almeje um posto de deputado (federal ou estadual), como um espectro que ressurge, redivivo quando todos o tinham como morto e sepultado. Daqui para o dia 5 de julho (ou 4, posto o quinto dia do mês ser um sábado?), as emoções e as tensões só tendem a aumentar. Atenta, a imprensa está em campo, checando os resultados das convenções, inquirindo os líderes sobre as listas de candidaturas, confirmando as coligações, esmiuçando as hipóteses, tentando folhear as atas, checando contradições e conferindo quem possa ter cartas na manga. Uma expectativa gerada pelo próprio sistema eleitoral brasileiro, ainda cheio de ?pontos cegos? e complexidades que já deveriam ter sido eliminadas há muito tempo. Estresses que comprovam, mais uma vez, a urgência de uma reforma eleitoral modernizadora.