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Julho lembra o cientista Arthur Ramos

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Mesmo tendo vivido apenas 46 anos, Arthur Ramos produziu extensa obra científica e cultural. Tão extensa que ao ser estudada nos tempos atuais, tem-se a impressão de que 100 ou 120 anos, se fossem vividos, ainda seriam insuficientes para tantas pesquisas, estudos e escritos. Nos anos de 1930 a 1949 ? fase de sua intensa produção intelectual ? não havia computadores, os temas eram redigidos à mão ou numa antiquíssima máquina datilográfica. Relata-se que, muitas vezes, ele escrevia deitado, de tão cansado se encontrava. Médico, psicólogo, psicanalista, professor universitário, antropólogo, etnólogo, filósofo, cientista, jornalista, folclorista, foi escritor de renome internacional. É considerado o maior especialista em cultura negra na América Latina. Deixou mais de 400 trabalhos científicos e 23 livros publicados. Sabedoria, simplicidade, erudição, alguns dos substantivos que me vêm à mente quando releio trabalhos sobre Arthur Ramos, o médico-cientista alagoano sempre reverenciado no mês de julho. Sua produção científica foi incomparável, porém, em nada supera sua batalha pelos direitos femininos ou no combate contra as injustiças à negros e indígenas. A formação de seu espírito humano esteve sempre a serviço das melhores causas do País. A dimensão humana de Arthur Ramos é tão delimitada quanto sua obra científica. Nasceu a 7 de julho de 1903, na cidade de Pilar, à margem da Manguaba. Uma expressiva homenagem à beleza e ao encantamento da Lagoa Manguaba está contida nos versos do poeta Judas Isgorogota, um intelectual alagoano, que viveu a maior parte de sua vida em São Paulo. Vejamos uma amostra de sua veia poética: ?Na Manguaba, tranquila, uma canoa/ dança, lá embaixo; lá de cima, a lua/ põe pó de arroz na face da lagoa... / junto às margens, o mangue; empós, a rua/ e, na choupana humilde, a tabaroa, / rica de sonhos na pobreza sua...?. Morava em Paris, na França, onde foi Diretor-Chefe do Departamento de Ciências Sociais da Unesco, onde costumava dizer: ?Paris é a Paixão do meu Cérebro e Pilar a Paixão do meu Coração?. Opinião do professor Paulo Savaya sobre as lagoas Manguaba e Mundaú: ?quem as criou guardou a fórmula no fundo de um cofre, não ensinou a mais ninguém, para que não pudesse aparecer em outra parte do planeta?. O escritor e cronista Romeu de Mello Loureiro, atual presidente da Academia Alagoana de Cultura, pretende tornar festiva a data de 07 de julho, reverenciando o mestre.

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