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Opinião

Dentre as grades, um grande problema

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Indiscutivelmente, um dos grandes problemas de segurança pública está localizado no sistema prisional, local que, contraditoriamente, deveria funcionar como garantia da ?retirada de circulação? de criminosos julgados e condenados. A grotesca deformação dos presídios em quartéis-generais do crime contamina não só as cadeias das delegacias, mas espalha suas raízes para o que deveria ser um sistema de guarda e recuperação para menores infratores. Em resumo, todo o sistema prisional se apresenta ao público como podre, viciado e viciante. O pior é que inexistem propostas reais, factíveis, para o enfrentamento desse gravíssimo problema. Mais verbas? Ora, verdadeiras fortunas têm sido trancafiadas em obras pomposamente rotuladas de ?segurança máxima?, tão caras quanto ineficientes. Igualmente, as experiências, dispendiosas, de administração privada dos presídios produzem poucos resultados positivos e são alvos de suspeitas de superfaturamento. As imagens recentes de um animado churrasco cometido num dos presídios alagoanos não podem ser vistas como reveladoras do principal problema. É uma grave comprovação do poder do contrabando de bens e serviços (que só pode ser levado adiante com a cumplicidade de integrantes do próprio sistema de segurança) e da disparidade entre as condições de vida entre os apenados. Mas é uma ponta ? e muito pequena ? do iceberg. Uma olhada mais atenta no noticiário já vislumbra a consolidação dos presídios como fortalezas do crime, áreas nas quais as quadrilhas exercem seu domínio e das quais emitem diretivas para seus comandados atuarem no ?mundo livre?. As festanças são apenas uma diminuta reafirmação do poder dos chefes criminosos eventualmente encarcerados. Mergulhados no mais completo ócio, acarinhados ora pela ineficiência no controle das comunicações entre os dois lados das grades, ora por uma visão paternalista no trato da questão dos direitos dos apenados e suas relações sociais (familiares e ?amigos?), os presidiários, mesmo os recuperáveis, terminam sendo sugados pelo turbilhão criminoso que gira livre e solto no interior das penitenciárias. Perplexas, as autoridades não sabem como reagir.

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