Opinião
O desafio mais duro, e sem o �cone de plant�o
Apesar de jogar em casa e de ostentar um retrospecto favorável nos embates com a Alemanha, o Brasil hoje entra em campo indiscutivelmente mutilado, somando mais dificuldades que facilidades no momento no qual será decida a primeira das seleções que disputará o primeiríssimo lugar na Copa do Mundo 2014. Até por conta da estratégia montada até esta terça-feira, ou simplesmente por conta do vício da Seleção Brasileira se apoiar em um craque (malgrado todos os discursos históricos sobre a preponderância do coletivo sobre o individual, o time canarinho voa assim desde tempos imemoriais, antes mesmo de Pelé em 1958 ou Garrincha em 1962), a ausência de Neymar Júnior é um sênior abalo. Procurando atirar na frente, os teutônicos chegaram a afirmar temer ?a pancadaria do Brasil? ? conversa... o nocaute sofrido por Neymar comprova quem tem levado pancada. A tese foi defendida pelo meia Bastian Schweinsteiger, craque alemão que não tem fama de carinhoso na disputa da bola, que declarou-se ?impressionado com a agressividade brasileira?. Deve servir de alerta para Felipão. O saldo na balança das partidas entre Brasil e Alemanha indica 12 vitórias brasileiras em 21 jogos, contra quatro ganhos pelos germânicos, sendo que a única vez, antes desta terça-feira, que as duas seleções se encontraram numa Copa do Mundo foi em 2002, justamente na decisão vencida pelo time canarinho por 2x0. Por tudo isso, este 8 de julho raia como um dia carregado no qual a Seleção Brasileira topa um de seus maiores desafios na longa história de 20 Copas do Mundo. Os alemães, visceralmente guerreiros de boa memória e ancestral ânsia em darem o troco em quer que lhes tenha pisado o pé não vão ignorar a vértebra trincada no corpo do adversário. E jogar no campo inimigo, sem dúvida, acrescenta um sabor adicional ao embate por parte de quem está no prejuízo acumulado por anos a fio. O contendor do Brasil, por tudo isso, se agiganta ainda mais, o que deve despertar os brios do escrete verde-amarelo no entendimento que este é o grande momento da Seleção Brasileira nesta Copa. Oxalá o Brasil consiga dar esse salto, superando novamente a perda temporária do ícone de plantão.