Opinião
Um desastre que dispensa teorias
Para quem imaginava que o Maracanazo teria sido o fundo do poço no quesito decepção de última hora, o Minerazo provou que sempre se pode sofrer mais, ser mais impactado. Falta, talvez, encontrar um vocábulo ? ou melhor, inventar ? que se inspire no idioma alemão, posto que o desastre de 1950 gerou uma palavra em portunhol. No mais, uma pancada digna daquela sofrida há 64 anos. Os analistas especializados terão dificuldade para explicar o acontecido ontem, mas ? indubitavelmente ? saberão criar teorias curiosas e instigantes. O resultado de 7x1, por mais surpreendente que possa ser não supera a perplexidade pela cascata de gols desencadeada nos primeiros 20 minutos. Algo tão imprevisível que provavelmente se inscreverá como algo insuperável na história da participação das grandes seleções nas copas do mundo. Quando de diz sobre a grandeza da Seleção Brasileira, pentacampeã e única que disputou todas as copas do mundo, de agora em diante se dirá também de nossa brutal capacidade se sofrer estonteantes derrotas nos momentos mais inesperados. Olhando bem, talvez os 2x1 de virada na derrota na finalíssima em 1950, frente ao Uruguai, tenham sido mais sofridos que os horrorosos 7x1 de ontem. Afinal, no Mineirão, o choque da decepção deu-se nos primeiros minutos e a confirmação da catástrofe era confirmada, gol a gol, até incríveis cinco a zero registrados ainda na metade do primeiro tempo. Porém, foi mais humilhante... Difícil escolher o pior. Registre-se que, numa rápida pesquisa, este escore assustador se coloca no patamar de três outras goleadas que desejamos esquecer: 0x6 sofridos frente ao Uruguai em 1920 (Torneio Sul Americano), 4x8 engolidos diante da Iugoslávia em 1934 (amistoso em Belgrado) e 1x6 para a Argentina, em 1940 (Copa Rocca). Como diz o velho samba, a hora é de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Como? Lutar com todas as forças pelo terceiro lugar ? seja com quem for ? como se fosse o primeiríssimo posto. Não é apenas o que resta, mas é a missão que se impõe como a preservação do profissionalismo, da emoção e da dignidade. A vida ? e a luta ? continua.