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Opinião

RECORDA��ES IMORREDOURAS

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Há um adágio popular que diz: recordar é viver. Da mesma maneira, comenta-se: povo sem história é navegador sem bússola, cujo azimute não se posiciona para qual posição que se pretende alcançar. As reminiscências são fases da vida que conduzem as pessoas às diversas situações vivenciadas em pretéritos outros, onde os neurônios de uma maneira ou de outra reativam o sistema neuro-cerebral do ser humano, dando-lhe uma sensatez de segurança e de bem-estar, passando desta forma a experimentar instantes inesquecíveis e agradabilíssimos. Após esse preâmbulo, torna-se necessário fazer uma retrospectiva da minha trajetória a partir dos primeiros instantes de vida até o fulgor da minha juventude. O local onde tudo começou não dista muito longe. Trata-se da magnífica e encantadora Manguaba do Sul, hoje simplesmente Pilar. Recordo-me os tempos que estudei no Grupo Escolar Oliveira e Silva, bem assim o admissão e curso no Ginásio Nossa Senhora do Pilar. Agradeço a Deus e aos mestres que transmitiram seus conhecimentos, destacando-se Padre Aristides, Neyder Alcântara e Enock Barros, verdadeiros apóstolos do saber e da moral. A sociedade pilarense deve muito aos mestres em evidência por tudo que fizeram pelos jovens da época. Como qualquer criança participava da vida cotidiana daquela terra, lembro-me do banho de bica no Engenho Grajaú, dos passeios em canoa pelo Rio Paraíba. Os pastoris, reisados, baianas e cheganças durante os festejos natalinos. O apito da fábrica de tecidos e o cheiro do café triturado nas torrefações. As festas das igrejas Matriz, São Benedito, Rosário e Santo Cruzeiro. O som do Alto-Falante dirigido por Jorge Barros e os telegramas misteriosos. As santas missões realizadas por missionários oriundos do Velho Continente Europeu com exibição de filmes e procissões às madrugadas. Os blocos carnavalescos Leão de Aço e Caçador. Anos depois, a frequência dos conterrâneos ao Sítio Pavão Misterioso, com banho de barragem e bica. O casarão centenário existente naquele Sítio, sempre festejado e visitado pela comunidade local. Lá, ocorreram muitas decisões políticas em prol da sociedade pilarense. Recordo-me, ainda, as tradicionais buchadas e guisados de carneiros acompanhadas de licor de jenipapo que aconteciam durante os festejos juninos e mês de Santana. O casamento matuto, tradição centenária. Tudo passou tão rápido, restando apenas recordações imorredouras e nada mais. Como é bom reviver...!

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