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COZINHA DO INFERNO

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Hell?s Kitchen ou Cozinha do Inferno, bairro de Manhattan, do século 19 até 1930 foi zona violenta dominada pela bandidagem, razão das lendas por trás de seu nome. Entre elas está a da antropofagia de psicóticos, lenda usada por Stan Lee nos gibis do super-herói Demolidor como uma menção à fome imposta por Mao Tsé-tung que ceifou 30 milhões de vidas. A atualização da cozinha do inferno comunista está de portas abertas ao mundo desde 2009, quando a Asia Press revelou o flagelo da Coreia do Norte. Em nome de seu projeto nuclear e na neurastênica insistência de se isolar dos países capitalistas, Kim Jong-un fixa um surto de fome que varre há três anos as regiões agrícolas do país, matando dez mil pessoas até chegar à barbárie do canibalismo e ao comércio clandestino de carne humana. A ditadura de Kim Jong manipula a fome para controlar a população e caçar desertores do regime. Esse fato teve algum espaço até ano passado; de repente os crimes contra a humanidade de Kim Jong-un e de seus asseclas sumiram das atenções, como se, do nada, a barbárie cessasse. A ONU, situada daquelas atrocidades (muito diferente do mundo na época em relação ao terror nazista), nas suas várias protelações, estancou no relatório dos fatos e no possível veto da China para um julgamento em tribunal. Destarte, o Fantástico vê o ateísmo oriental da Coreia comunista como um ?mal menor? ante as religiões orientais. Para ele, Islã e hinduísmo são sinônimos de misoginia, como se todos os países islâmicos mais a religião hindu ensinassem a violência contra a mulher, onde, numa análise mais honesta da situação, o que se tem são alguns grupos radicais governando sob leis paralelas ao Corão, e, no caso hindu, homens agindo pelo machismo pessoal que não pode representar todos os homens hinduístas. Falsear crime com religião e silenciar-se frente ao terror ateu norte-coreano dá mostras de ?pressuposto e subentendido?, parte da semântica discursiva de Oswald Ducrot (teoria de que não falarei, e, como o Fantástico, legarei ao não dito). Mas o dito é que a somatória das desgraças do regime ateu supera os erros de todas as religiões, todas as pestes, calamidades, guerras. Enquanto alguns injetam de sutil um senso irreligioso, a Coreia do Norte e sua doutrina antirreligiosa se mostra o mal encarnado, com um comunismo que faz, dessa vez, adultos comerem criancinhas dentro de uma real cozinha do inferno.

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