Opinião
UM RETRATO DO GENOC�DIO DA JUVENTUDE ALAGOANA
A Copa do Mundo, as festas juninas, o calendário das convenções partidárias aliadas ao recesso parlamentar minimizaram o impacto em Alagoas do recentemente lançado Mapa da Violência 2014 ? Os Jovens do Brasil. Afora o registro factual do lançamento nos meios de comunicação e a reprodução pelo atual titular da pasta da Defesa Social alagoana das justificativas pálidas e inconsistentes para o dantesco quadro da violência, muito pouco se refletiu e discutiu sobre a aguda realidade da violência em Alagoas retratada no referido Mapa. O Mapa da Violência 2014 ? Os Jovens do Brasil utiliza os dados oficiais coligidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde ? SIM/MS. Coordenado pelo notável sociólogo Julio Jacobo e produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o alentado estudo têm como objetivo fornecer subsídios para que a sociedade civil e do aparelho estatal aprofundem sua leitura sobre a realidade da violência no País. Alagoas continua liderando o infame ranking dos homicídios no pais, segundo o Mapa acumulando a taxa de 64,6 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2002 o estado registrou 989 assassinatos, em 2012 foi mais que o dobro: 2046. Uma evolução de 106,9%, levando-se em consideração o número de homicídios na população total. Na população jovem do estado, a taxa de homicídios é ainda mais gritante, totaliza 138,3 por 100 mil. Em 2002 em Alagoas ocorreram 554 homicídios na população jovem, em 2012 esse número saltou para 1228 homicídios juvenis, representando no período um absurdo incremento de 121,7% nas taxas de homicídios contra a população jovem alagoana. Na bela Maceió, a capital alagoana a taxa de homicídios contra a nossa juventude alcançou ao inclemente patamar de 218,1 homicídios por 100 mil. Os dados frios e exatos de homicídios contra os jovens em Alagoas revelados no Mapa da Violência 2014 por um lado retratam indubitavelmente o especialmente da juventude negra, pobre e moradora das periferias das cidades alagoanas alvos preferenciais da violência homicida, por outro revela inexoravelmente a catástrofe da política de segurança pública do governo tucano, colocando no centro da prioridade da agenda política a premência de novas política de segurança publica e para a juventude. Afinal, ?que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe!?, já ensinava do alto da sua genialidade o filósofo alemão Walter Benjamin.