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Um novo banco e o futuro dos Brics

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Em julho de 1944, num hotel de Bretton Woods, nos Estados Unidos, 44 países apoiaram a proposta de criação do Fundo Monetário Internacional e da Organização Internacional do Comércio. A Segunda Guerra estava nos seus estertores e os Aliados, através do peso da economia americana, teciam o dia seguinte à inevitável queda do Eixo (Alemanha/Itália/Japão). Naquela famosa conferência, a tônica já apontava para um esforço hegemonista do lado ?ocidental? com a arrumação do mundo pós-guerra segundo o viés do capitalismo centrado em Wall Street. Em abril de 1964, a Organização das Nações Unidas homologava o FMI, quando seus tentáculos já se espalhavam, ávidos, enredando as economias mais dependentes. Setenta anos depois do decidido em Bretton Woods e cinquenta anos depois da organização bancária global ser homologada, uma nova instituição monetária internacional surge no horizonte. Neste julho de 2014, em reunião realizada na cidade de Fortaleza, ainda aquecida pelas disputas da Copa do Mundo, representantes de cinco países ousam fundar um banco internacional de desenvolvimento. É o ?Banco dos Brics?. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ? time apelidado por suas iniciais ? deram um significativo passo adiante em seus desideratos das nações emergentes mais importantes na atual quadra de tempo. A construção dessa casa de crédito envolve um aporte inicial de US$ 50 bilhões como capital bancário e mais US$ 100 bilhões como fundo para empréstimos, e outros US$ 100 bilhões para ?ajudar os países do grupo no caso de uma possível crise de liquidez?. Para o criador do termo Brics, o economista Jim O?Neill, essa iniciativa ?é um passo decisivo para a consolidação do grupo?, complementando que ?é importante que as maiores economias emergentes tenham sido capazes de colocar em funcionamento um projeto assim, do contrário a credibilidade como grupo seria questionada. É um primeiro passo evidente, mas agora precisam passar para a ação?. É importante destacar que essa ação precisa, como no exemplo do FMI, unir estratégias políticas e econômicas amplas e ousadas, sem cair nos erros do apadrinhamento ideológico e do filantropismo. Para a sobrevivência da nova instituição e consolidação do próprio grupo, o conceito desenvolvimento deve ser praticado, sem demagogias, pelo novo banco.

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