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Opinião

Sumidouro de reais

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O Brasil chega ao fim dos oito anos de FHC em situação lastimável ? para a esmagadora maioria de seu povo. Desemprego, falência dos serviços públicos, inflação e falta de perspectivas são os traços marcantes da realidade. Nesse quadro dantesco, as mais valiosas das estatais brasileiras viraram pó num processo de ?privataria? que não deixou registros positivos no Erário. Mas será que todos perderam nesses oito anos? O Brasil continuou a produzir riquezas nesse tempo e para onde foram? Vejamos uma possibilidade: As informações sobre o desempenho dos bancos em 2002 confirmam que os anos FHC foram o período de ouro do sistema financeiro, principalmente o internacional. Segundo levantamento divulgado pelo jornal Folha de São Paulo no último domingo, no ano de 2002 os bancos estrangeiros mais que triplicaram a chamada rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido (PL); enquanto em 2001, os resultados variaram entre 6% e 37%, neste ano a variação ficou entre 22% e 56%. Segundo analistas econômicos ouvidos pela Folha, o expressivo resultado dos bancos estrangeiros se deveu ao fato de que eles apostaram na desvalorização do real. Contribuiu, também, para este desempenho, as elevadas taxas de juros que remuneram os títulos públicos e os empréstimos a juros altíssimos. O paraíso dos bancos estrangeiros é aqui: para se ter uma idéia, o resultado do Citibank com relação ao retorno sobre o PL no resto do mundo, até setembro, foi de 21%; no Brasil 56%. O Santander apresentou resultados semelhantes: 12% no mundo contra 50% no País. Segundo o publicado pela revista Isto É (nº 1728), num fórum realizado em novembro deste ano, nos Estados Unidos, pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, de Nova Iorque, o economista Albert Fishlow, diretor do departamento de estudos brasileiros da Universidade de Colúmbia, fez um alerta: ?Eles (os bancos estrangeiros) interromperam os empréstimos ao Brasil; não modernizaram sua tecnologia local e seus serviços, como fizeram as empresas domésticas. Assim chegará a hora em que os brasileiros vão se perguntar se vale mesmo a pena ter bancos estrangeiros no seu país?. Fica a pergunta.

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