Opinião
O PA�S DO FAZ DE CONTA
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Não estou falando do que estão pensando, neste momento fúnebre por qual passou nosso ?orgulho nacional?, orgulho que foi amalgamado por gerações passadas, verdadeiros guerreiros, que colocaram no cenário internacional o futebol brasileiro. Crível é que choramos a perda de pessoas que amarelaram, digo vestidas de amarelos, a qual nomenclaturamos Brasil. Lembremos que nossa cultura, religiões e futebol copiamos de fora. Não temos uma identidade própria, vivemos um modismo do momento; fizemos de conta com nossas manifestações que não queríamos a Copa do Mundo, fizemos de conta que acreditamos em nossa seleção, fizemos de conta que o camisa dez era nosso salvador da pátria. Colocamos na praça pública internacional que ainda não curamos as chagas de 1950; fins dos tempos? Oh! Meu Deus! E, agora, seremos assombrados pelos fantasmas que assombraram nossos avós, fins dos tempos? Oh! Meu Deus! Deus é brasileiro ou nosso deus veste a camisa dez. Eli, Eli, lama sabactâni. Em verdade, vos digo. Deus não nos abadonou no campo e, sim, quando deixamos que se gastassem bilhões nas construções dos estádios de futebol, deixando de lado o investimento na educação, na saúde, no transporte, na segurança e outros. Fácil calar a massa: basta uma política de pão e circo; só tem um detalhe: os palhaços fomos nós. Uma coisa é certa, das trinta e duas seleções, carregamos o sangue de todas elas, uma vez que somos uma miscigenação. Entretanto, não conseguimos absorver o melhor delas. O que testemunhamos foi o medo de uma geração que não sabia fazer com o valor moral de uma camisa amarela o que os antepassados conquistaram. O slogam é bonito: ?sou brasileiro e não desisto jamais?, a não ser que tenha uma pedra no caminho chamada Ale..., deixa pra lá. Sofro de amnésia, até porque, nesses momentos de Copa, os noticiários eram apenas futebol, o País não tinha tanta violência, fome, desabrigados, hospitais sem leitos e sem raios-X, escolas sem merendas, mensalão... tudo foi resolvido nesse período. Lamentável ter que esperar mais quatro anos para esquecemos novamente, por um curto período, nossos problemas sociais.