loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Aranha arranha a lei ou a esperan�a?

Ouvir
Compartilhar

No começo da semana passada, uma notícia chocou os alagoanos, impactando especialmente quem ainda preserva um mínimo de sensibilidade face à banalidade da violência e impunidade que grassa em nosso estado. Dizia a notícia veiculada, inicialmente, pelo site Gazetaweb: ?Considerado um dos traficantes mais perigosos do estado, conhecido como ?Aranha? foi solto nesta segunda-feira (14), após pedido de progressão de regime para o semiaberto?. Meu Deus! Terá exclamado quem ainda se surpreende com certos surrealismos teimosos em explodir na cara de quem insiste em apostar no real como indicativo de alguma esperança. O cidadão em tela é considerado ?um dos mais perigosos? por conta de sua ficha quilométrica de crimes, onde constam acusações por liderar o tráfico na região do Bom Parto, em Maceió, e nada mais nada menos que 10 (dez) homicídios ? dentre os quais, figura um policial militar e dois menores de idade, com 16 e 13 anos. Quando ainda cumpria pena, Aranha foi acusado de planejar o assassinato de dois delegados e dois policiais militares alagoanos. Por conta dessa periculosidade, o cidadão passou um tempo no Presídio de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná. Esteve. Pois, agora, está livre, leve e solto. Liberado legalmente, devidamente enquadrado nas norma que estabelecem as vantagens para o apenado quando do cumprimento de 1/6 da pena. Aranha não arranha a lei, neste caso específico de se colocar fora das grades. Pelo contrário, a lei é quem causa um arranhão à sociedade quando ? em seu emaranhado de capítulos, parágrafos, ditos e desditos ? permite este tipo de brecha. Resta orar para que Aranha não volte a armar a sua teia depois de ser beneficiado por esta generosa brecha. Que se regenere. Mas é inegável que a sociedade teme, com redobradas razões, o risco de que os reeducandos não tenham verdadeiramente sido reeducados e, quando de seu retorno às ruas, sejam reabsorvidos pelo crime organizado e as coisas fiquem como dantes, ou pior, no quartel de Abrantes. Este é apenas um caso dentre tantos nos quais fica evidente que a legislação, em determinados aspectos, caducou, atrofiou-se, e, como medicamento estragado, pode se converter em seu contrário, causando danos ao invés de sanar.

Relacionadas